Nos grandes centros urbanos, dado a alta densidade populacional, ocorrências que, no interior, vemos com menor frequência, somente canalizam maior atenção quando envolvem pessoas consideradas famosas. Recentemente um atleta do Palmeiras, emprestado ao Bragantino, se envolveu com um trágico acidente de trânsito e terá em breve o seu contrato rescindido, porque apresentou sinais de embriaguez no volante e sua negligência não será perdoada por seus empregadores. No final da última semana, o palco de uma nova tragédia de enorme repercussão aconteceu na Barra da Tijuca, no Rio. Uma família, ao sair de uma comemoração, decidiu atravessar a avenida e ir de encontro à praia. Nesse momento, uma moto em alta velocidade acabou atropelando um jovem de apenas 16 anos, que teve sua perna amputada no acidente. Levado ainda com vida a um hospital próximo, a vítima não resistiu aos ferimentos e teve a morte constatada.
O motociclista, identificado imediatamente, teve apenas escoriações leves e deixou o hospital pouco tempo depois, mas o problema é que, além de tragédia que causou, estima-se que ele dirigia a uma velocidade de 150 km/h e, com outro detalhe: não possuía carteira de habilitação. O caso, como dissemos, não ganharia maiores proporções se este criminoso não fosse um modelo publicitário e ex-namorado de uma influenciadora digital renomada. Mas existem outros ingredientes macabros nesta história. No hospital, ele revelou que não estava bêbado ou drogado, e foi “apenas” um acidente: “não fiz nada de errado para me tratarem como um assassino”. Porém, três dias antes, ele foi parado em uma blitz de trânsito e se recusou a fazer o teste do bafômetro e pensam contra o motociclista outros dois inquéritos relacionados a direção perigosa. Bem, este fato me chamou a atenção por dois fatores. O óbvio, porque a morte do jovem de 16 anos é irreparável.
Choca e entristece profundamente. Porém, coincidência ou não, nos últimos dias tenho observado alguns abusos consideráveis no trânsito limeirenses, relacionados a alta velocidade e a impaciência dos motoristas. Parece que todos estão sempre atrasados, e gostariam que os demais motoristas soubessem disso, dando-lhes preferência. Para estacionar, mesmo sinalizando sobre isso, alguns motoristas são “assediados” por uma suposta “lentidão”, levando buzinaços por isso. O que estaria havendo? O único lado aproveitável das tragedias, se podemos dizer isso, é que elas deveriam merecer uma maior reflexão por atores que possam causá-las a qualquer momento.