EDITORIAL
Dois expedientes ainda previstos para o que pode ser classificado como investigação política, ainda que temidos pela categoria, perderam totalmente a credibilidade: CPI e impeachment. Este último, então, virou uma espécie de trunfo para qualquer presidente da Câmara conviver harmoniosamente – também – com qualquer presidente da República.

Por isso, seja qual for o mandatário, ele saberá que desde o início do mandato seguirão, na gaveta, dezenas de pedidos de afastamento, prontos para saírem na medida do necessário. Em relação a CPI, o mesmo, com explicações diferentes. Na semana passada, aqui em Limeira, um vereador conseguiu protocolar uma CPI para investigar os crimes cometidos por servidores públicos junto a secretaria de Habitação, e aqui cabe uma primeira pergunta: os vereadores são mais competentes que os membros do Gaeco e da própria Polícia Civil para identificar as ramificações deste esquema? A resposta é não, como também não é o interesse do vereador apurar as pessoas envolvidas neste esquema de fraudes.

Trata-se, como de costume, da criação de um problema para a venda de uma solução. Ou, cria-se dificuldades para a venda de facilidades. O mesmo, mas não exatamente com esta explicação, acontecerá em Brasília. A menos de 100 dias das eleições, os senadores aprovaram a criação da CPI do MEC, e analisemos o lado prático da questão. Alguém é capaz de supor, levando-se em conta o que nossa memória traz em relação a CPI da Covid, que os senadores – muitos em busca da eleição – ficarão parados em Brasília, durante as próximas semanas, negligenciando o curso das campanhas? E mais. A CPI da Educação envolve pastores, dois em especial, e isso certamente incomodará a bancada evangélica, dona de um forte lobby congressual. Estes parlamentares se sentiriam à vontade para investigar membros de seus próprios redutos?

Por mais que o objetivo seja embaraçar o presidente da República – até porque não haverá tempo para puni-lo –, diversos membros das igrejas estarão passíveis de prestar depoimentos. Quem apoiará esta ideia nesta reta final? Portanto, guardando alguma semelhança com a nossa Câmara, CPIs não passam de uma cesta de interesses, para quem ofereça mais em lavá-la.