Em uma das últimas edições do Debate Farol, programa que sinto saudades de participar, uma pergunta lançada pelo companheiro Felipe Voith causou uma certa estranheza, mas nada além do que ele costumeiramente fazia: “Por que o machismo está tão em alta?”. Como propositor, coube-lhe a tarefa de explicar melhor e assim foram pontuadas diversas manifestações, incluindo de vereadores locais, com esta finalidade. Não me recordaria exatamente o que tratamos e qual a conclusão chegamos, mas o fato é que este problema de afirmação m

asculina é estudado faz tempo, e ninguém melhor que psicólogos e psiquiatras para oferecem um conteúdo mais científico. O que não impede conjeturas mais subjetivas e contextualizadas com este momento “politicamente correto”, digamos. Existe, por exemplo, entre uma corrente mais conservadora, uma visão menos compassiva em relação ao sexismo e à misoginia. Caso, por exemplo, que colocou quase em oposição as candidatas Simone Tebete e Soraya Thronicke, quando a primeira teve que defender sua posição “feminista” enquanto a segunda, uma postura mais liberal. Thronicke, inclusive, pediu que a indagação fosse refeita, preocupada em deixar claro que não era contra a “vitimização das mulheres”. Apenas, em suas considerações, era recomendável que os casos fossem contextualizados em suas formas, e não na essência, e aqui se encontra uma discussão sem vencedores, porque se trata de uma visão de mundo, digamos assim.

O homem, por exemplo, que tenta se impor por virtudes que não se conectem com sabedoria, inteligência, delicadeza, dedicação e sensibilidade, e se atenham simplesmente a fatores como vigor físico, aridez em seus gestos e palavras, falar alto e o hábito de ordenar, e não pedir, possuem o direito de fazer esta escolha. Assim como os primeiros. A questão é que, para o segundo grupo, os riscos de se estabelecer algum tipo de importunação – e neste ponto em todos os sentidos – é maior. As chances de invasão dos direitos sejam de um homem ou de uma mulher crescem proporcionalmente a cada frase ou a cada gesto. Obviamente há gosto para tudo, as preferências as vezes são inexplicáveis, mas os princípios de igualdade são os limitadores em qualquer escolha. “Tratar bem”, como observamos, é um conceito subjetivo e como tal, incita respostas convencionais ou não. O problema, portanto, não está no machismo, mas o quanto este comportamento se permite quebrar o regramento social somente por ser exercido.

As características são livres; o cumprimento das leis, obrigatório.