A tecnologia do impedimento semiautomático (SAOT) estreou no Brasileirão neste final de semana e já mostrou uma de suas maiores qualidades: a agilidade. O sistema foi utilizado em cinco oportunidades, com tempo médio de checagem de apenas 47 segundos.

No sábado (25), a tecnologia entrou em ação na partida Santos x Chapecoense após o gol de empate do time catarinense, marcado por Marcinho, numa operação de 48 segundos. No domingo (26), o SAOT foi acionado em duas oportunidades na partida Flamengo x São Paulo, em uma ocasião no jogo Bahia x Corinthians e em outra em Remo x Vitória.

No Maracanã, o gol do São Paulo foi checado em 33 segundos e o gol do Flamengo foi anulado em 64 segundos. Vale lembrar que o tempo de checagem se dá a partir da marcação inicial de gol. Na Fonte Nova, o gol de empate do Bahia foi anulado em 32 segundos, e no Mangueirão o segundo gol do Remo foi confirmado em 62 segundos.

“O primeiro fim de semana de utilização oficial do impedimento semiautomático foi extremamente positivo e confirmou que estamos no caminho certo. A tecnologia entregou aquilo que esperávamos: mais agilidade, precisão e segurança nas decisões, reduzindo significativamente o tempo de análise dos lances e proporcionando maior fluidez às partidas. Esse resultado é fruto de um grande trabalho de planejamento, integração entre a CBF, Genius Sports, clubes, equipes de arbitragem e todos os profissionais envolvidos na operação. Seguiremos monitorando e aperfeiçoando os processos, mas este início demonstra que o futebol brasileiro está incorporando uma tecnologia de padrão internacional, sempre com o objetivo de oferecer uma arbitragem cada vez mais eficiente, transparente e confiável”, disse Netto Góes, Diretor de Arbitragem da CBF.

Cada estádio foi equipado com 28 a 32 câmeras dedicadas (o número varia de acordo com a infraestrutura de cada estádio), com suporte de cinco servidores locais que garantem a conectividade do sistema. Os aparelhos gravam o jogo em qualidade 4k, a 100 frames por segundo, permitindo que o sistema crie uma réplica digital dos lances em campo.

As imagens capturadas são transmitidas em tempo real para a Central de Operações do Árbitro Assistente de Vídeo (VAR), da CBF, no Rio de Janeiro. A Central conta com 10 salas de controle integradas e equipadas com as tecnologias VAR e SAOT.

Em relação a comentários que surgiram em redes sociais, a CBF esclarece que o sistema usado no Brasil opera com captura de imagens a 100 quadros por segundo e identifica automaticamente o exato instante do último contato do jogador com a bola, o chamado ponto de contato (kick point).

Também de forma automática, o sistema reconhece os atletas envolvidos na jogada, define os pontos de interesse de cada um deles e gera o resultado da análise de impedimento, sem qualquer interferência humana nessa construção.

O termo “semiautomático” refere-se, exclusivamente, à etapa de validação. A equipe de arbitragem de vídeo não recalcula, não redesenha linhas e não decide o posicionamento dos jogadores: sua função é conferir e confirmar aquilo que a tecnologia já produziu.

Em situações muito raras, como oclusões parciais, jogadores ocupando praticamente o mesmo espaço ou lances que exigem interpretação, o VAR pode avançar ou retroceder um quadro para assegurar que o ponto de contato capturado corresponde exatamente ao momento do passe. Trata-se de um ajuste pontual de precisão, e não de uma alteração de critério ou de resultado. Nenhuma situação assim aconteceu na 20ª rodada do Brasileirão.

Confirmada a validação, o resultado é comunicado ao árbitro de campo e a imagem tridimensional é exibida nos estádios e nas transmissões. A animação apresentada ao público é, portanto, a representação de um cálculo automático já verificado.

A adoção da tecnologia tem como objetivos centrais a agilidade nas decisões, a precisão do resultado e a transparência do processo. Ao transferir para o sistema a identificação do momento do passe e do posicionamento dos atletas, o SAOT reduz de forma significativa a margem de interpretação, entregando decisões mais rápidas e tecnicamente mais confiáveis.

Informações/Ilustração: CBF