A disputa por um cargo legislativo municipal é uma das tarefas mais difíceis nesses tempos modernos, principalmente para um número expressivo de candidatos que não possuem redutos religiosos ou identitários em suas campanhas. Para além disso, não ainda com uma força que seguirá progressiva, influenciadores digitais parecem ter gostado do assunto e despontam como concorrentes relevantes. Até a alguns anos, vale recordar, os fatores que contribuíam para a eleição de um vereador, além dos redutos os quais mencionamos, eram um tanto diferentes. Por exemplo na área da saúde. Escolher um médico como candidato era uma forma de retribuir um auxílio; isso ainda existe, porém muitos desses profissionais acabam por desistir dessas corridas por uma avaliação de riscos. A fiscalização popular, hoje, é maior, o que pode trazer fortes reflexos nos períodos de ausência. Outros exemplos relacionavam a popularidade dos candidatos com a vitória. Embora esse fator tenha peso até hoje, não se trata de uma relação matemática, porque depende cada vez mais da proporcionalidade dos votos válidos, concedidos à chapa ou federação. Ainda que um partido tenha alcançado, ou mesmo superado, o quociente eleitoral, se os candidatos da legenda não alcançarem a cláusula de desempenho individual, não estarão eleitos. É uma conta complexa, portanto vamos aos exemplos práticos, não necessariamente relacionados com esse fator. Entre os vereadores eleitos em Limeira, 13 obtiveram mais de dois mil votos enquanto os oito restantes oscilaram em números mais baixos, em uma faixa intermediária. Observem a votação dos candidatos não reeleitos: Constância Félix, 1.642; Ceará, 1.055; Jú Negão, 1.347; Farid, 1.304; Dr. Júlio, 1.393; Marcos Xavier, 1.232 e Terezinha da Santa Casa, 1213. Destes, 6 não possuíam um forte engajamento ligado ao setor religioso; isso, somado ao tal coeficiente, foi fatal. Mas os eleitores foram além, e renovaram quase 50% das vagas. Esses lugares serão ocupados por Estevão Nogueira (que já foi vereador), Guilherme Guido, Maraisa Mattos Silveira, Márcio do Estacionamento, Zé da Farmácia, Felipe Penedo, Dr. Marcelo Rossi (que já foi vereador), Carlinhos do Grotta e o personal Costa Jr. Uma boa notícia, para a oxigenação do legislativo e, para concluir, por curiosidade: como se saíram nomes mais conhecidos? Entre as influenciadoras, Joyce Dias, com 1.313 e Cassi Facco, com 904, demonstraram potencial; quanto à outras candidaturas, observemos os números: Igor Manhani, 1.103; Thiago Braz, 1.020; Abraão Cabelereiro, 960; Profa. Érika Monteiro, 908; Bolinha, 723; Dimas Peruza, 671; Douglas Robinho, 663; Toninho Franco, 536; Simoni Zambuzi, 487; Zé do Povo (antigo Zé da Mix), 437; Kédima Silva, 416; Mir do Lanche, 375; Luizinho da Casa Kuhl, 366; finalmente, Cabo Chiquinho, 313, com votos. Popularidade ajuda, portanto, mas não é tudo.

Roberto Lucato