Honestamente tenho procurado me afastar destas análises preliminares deste fatídico Lula 3 por razões óbvias. Primeiro, porque não há nada que ele esteja fazendo que não havia previsto lá atrás. Lula continua raivoso, ressentido e agora com um componente emocional ainda mas acentuado: “se achando”. Para um sujeito que, na diplomação, dizia que sentia orgulho de receber o comando do país sem formação acadêmica, agora ele mete a entender de macro economia. Nos últimos dias ele está causando confusões sucessivas em torno do Banco Central, cujo comando foi repensado, lá atrás, de maneira a não receber ingerência política, o que ele quer fazer.

Em segundo, porque essa discurso estatizante do PT, o qual ele voltou à carga ontem se referindo à Eletrobrás, nada mais é do que pleitear o comando de centenas de cargos para favorecer o “partido da boquinha”, como era a classificação dada por Fernando Henrique Cardoso a legenda do presidente. Porém, o que me faz escrever esse comentário de última hora diz respeito a quanto estamos e permaneceremos atrasados, e agora não me refiro a Lula, especialmente, que em algum momento da história desaparecerá, assim como nós. Ontem à noite, acompanhei atentamente um discurso proferido por Joe Biden feito no Congresso dos Estados Unidos, uma espécie de prestação de contas.

Prestes a se tornar octogenário, à exemplo do nosso mandatário, ele foi extremamente lúcido em suas colocações, feitas de improviso. Mencionou números, ações do governo, falou sobre suas ideais, sobre o sistema de saúde e, talvez o momento em que foi mais aplaudido, apontou a taxa de desempregados, ou seja, de quase 3%, o que significa o chamado “pleno emprego”. E foi além no quesito econômico: prestigiou todas as classes, especialmente as cadeias produtoras. Falou sobre a distribuição de impostos com assertividade dizendo que, sim, as cotas devem ser proporcionais, para que um milionário continue sendo milionário, mas que pague mais que um bombeiro ou uma enfermeira. Biden não deixou de sorrir um instante sequer e tratou com gentileza seus pares políticos e adversários, colocando no centro das atenções a nação norte-americana, muito superior aos interesses individuais de todos que estavam ali. Para quem acompanhou, foi um excelente exemplo para quem se disponha a promover a coesão. Um discurso sem um pingo de agressividade e com muitos, dezenas de convites para a justaposição de interesses em torno de uma América livre, berço de oportunidades e aberta ao diálogo. Por isso é desgastante reavaliar o governo petista porque será mais do mesmo. Que não tem nada de amor, exceto por cargos e propinas.

E o tal Lula, pobre ancião, certamente perderá a oportunidade de melhorar seu filme na história, porque ao que tudo indica, em breve precisará ser contido por uma camisa de força, e no final de seu mandato, se preparar para criar abelhas. No Uruguai.