Nos dois meses anteriores a minha posse na secretaria de Esportes, as reuniões com meus colaboradores se intensificaram. Com agendamentos, previsão de campeonatos, verificação da situação física dos próprios, conversas com lideranças de bairros, assim procuramos elaborar um mapa daquilo que seria possível implementar, corrigir ou melhorar.

Colocamos vários sonhos sobre a mesa, juntamos conceitos de vida e os alicerçamos com conhecimentos profissionais para a elaboração de um plano de ações. Porém, muito embora conhecesse a personalidade do mandatário de ocasião, não tinha ideia que ele fosse uma pessoa tão egoísta, narcisista, corrupta e, mais tarde se revelaria completamente, por demais centralizadora.

Ou seja, além dos impedimentos naturais do exercício da vida pública, e aqui me refiro a movimentação da máquina administrativa, o prefeito só fazia – ou autorizava – aquilo que fizesse parte de seu planejamento político. Não era raro tomamos conhecimento de algo relativo à área esportiva quando tudo estava pronto e arquitetado. Assim acontecia com a liberação de demandas.

Os demais secretários envolvidos também não possuíam autoridade para decidir sobre qualquer assunto e pedíamos mais tempo peregrinando entre corredores do que acompanhando in loco as competições. Entretanto, nossa principal meta foi atingida em pouco tempo, porque além de esportiva, trazia uma conotação política também: a volta dos Jogos Escolares. Um objetivo relativamente fácil de ser reestabelecido, e assim se deu. Penso nisso ao ver os esforços do governador Tarcísio de Freitas enquanto tenta emplacar seu primeiro grande objetivo de governo: acabar com a Cracolândia na Capital, em minha opinião, um erro primário, típico de governante de primeira viagem. Em primeiro lugar, porque se concentra em São Paulo, cidade, onde já há um prefeito.

Em segundo, porque em nosso Interior, em menor escala, existem concentrações de viciados entre becos, matas e próprios. Portanto, um projeto estadual, com graduações de investidas, controle e dimensão, seria mais adequado. Finalmente, percebe-se claramente que o planejamento não foi bom, os resultados não serão tão rápidos e Freitas corre sérios riscos de fracassar nesta tentativa antes mesmo concluí-la.

Em um período tão chuvoso com esse, no qual os municípios fazem o que podem contra enchentes, deslizamentos e problemas decorrentes, não há dúvida que isso seria, sim, uma prioridade. Freitas terá muto o que aprender ainda; se é “bom” para tirar projetos do papel, melhor que se aperfeiçoe em priorizá-los.