Entre o segundo semestre de 2016 até fevereiro de 2021, o carioca Rodrigo Maia era figura onipresente no noticiário político. Presidente da Câmara dos Deputados, ele pautava o que bem entendia, distribuía favores e era uma espécie de unanimidade congressual. Não conseguiu, entretanto, deixar um sucessor, e sua carreira foi ladeira abaixo.

Tanto que se submeteu a aceitar um cargo no governo João Dória, uma secretaria política, mas nem assim decolou novamente. Afinal, fazer cortesia com o chapéu dos outros é fácil, ou seja, todo o poder que se resume ao peso de uma caneta, Bic ou Montblanc, se esvai no mesmo tempo quando ela muda de mãos.

E, neste caso, passou para Arthur Lira, que desde o discurso da posse revelou sua forte aproximação com o chamado Centrão. Os deputados, afinal, não se aproximam por ideologia, como muitos podem achar, mas por interesses, por todos que se possam imaginar. Por isso pouco importa se o presidente da casa possui um viés, porque sempre se alinhará com o próximo governo, e o tornará refém. Lira foi auxiliar de primeira ordem do ex-presidente Jair Bolsonaro, acalmando seus pares sempre quando necessário e pautando aquilo que era estritamente de interesse do Palácio do Planalto.

Não foi fácil, primeiro porque exerceu um mandato durante a pandemia, depois pelo próprio temperamento do ocupante da presidência, e finalmente teve que se deparar, desde o final do ano passado, com um governo completamente antagônico. Como citado, para essa gente não há ideologia, há interesse. Lira prontamente construiu pontes com o novo presidente, autorizou a Lula o rombo de 150 bilhões para o pagamento dos 600 Reais e manteve à espreita o orçamento secreto. De quebra, para garantir sua reeleição, no apagar das luzes ele reajustou diversos penduricalhos aos nobres deputados.

Nesta quarta-feira, portanto, restará a ele saber se sua reeleição chegará aos 400 votos, de um total de 513 possíveis, neste novo ambiente que se formará na Câmara. Quanto ao Senado, entretanto, e hegemonia de Rodrigo Pacheco está ameaçada pelo novato Rogério Marinho, o que obrigou o próprio Lula a interceder. Se vencer, algo cada vez mais possível, o ex-ministro de Bolsonaro promete se contrapor à leviana pauta de Pacheco, trazer o Supremo Tribunal para o foco das atenções bem como questões conservadoras. Ou seja, nitroglicerina pura, o que seria formidável para o equilíbrio de forças e Brasília. A conferir.