Parece que o carnaval pós-pandemia finalmente chegou. Desde a última sexta-feira, centenas de blocos invadiram as ruas das principais capitais brasileiras, incluindo São Paulo, que se prepara para receber mais de 15 milhões de foliões, segundo relatos de nosso correspondente Sidney Botelho. Para este público, ou seja, para quem gosta ou tem a chance de cair na folia, é natural que toda esta ansiedade esteja prestes de ser superada.
Dois anos, afinal, são dois anos, e para os mais jovens, quantas coisas não podem ter mudado, não é mesmo? Amigos, locais de estudo, paqueras, em dois anos é possível uma pequena revolução interna para qualquer pessoa, mas outras situações parecem ter mudado também, e para melhor. É que na última sexta-feira, jornais cariocas informaram que – vejam só – o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro simplesmente interditou a Marquês de Sapucaí. Segundo informações, desde a validade de extintores ao estado de conservação de itens de segurança, tudo estava em desacordo com a legislação, impedindo obviamente a realização dos chamados ensaios técnicos das escolas de samba. Bem, faltam três semanas para o carnaval, e esse é um assunto sério para os fluminenses, talvez particularmente caro ao prefeito Eduardo Paes, um dos maiores populistas dos últimos tempos.
Durante a pandemia, ele fez de tudo para contrariar os alertas sanitários, chegando a proclamar que o Rio estava livre da pandemia – o que não só era um exagero, como o fez alterar as datas dos desfiles das escolas, jogando para abril do ano passado. Gostaria de saber, agora, que tipo de explicação deve ter oferecido aos líderes das comunidades. Porque, o complexo do Sambódromo, é de responsabilidade da prefeitura, que deixou de cumprir as mínimas exigências. As exigências foram cumpridas rapidamente, mas o melhor não para por aí.
Há relatos que, por determinação dos Ministério Público, os carros alegóricos também serão vistoriados, uma medida não apenas atrasada como esperada. Infelizmente, muitas tragédias evitáveis têm sido registradas por falta de equipamentos de segurança, cumprimento de medidas de proteção e até o descompasso do tamanho dos carros. Tomara que igualmente em São Paulo os órgãos responsáveis tenham feito o dever de casa.
Lamentavelmente um jovem já perdeu sua vida brincando nos megablocos, vítima de um choque elétrico provocado por uma linha de transmissão mal colocada. Algo que, a depender da velocidade com a qual desenvolve seu mantado, Ricardo Nunes terá que correr, como seu colega carioca, para proteger os paulistas.