Escolhas nem sempre são possíveis e talvez o melhor exemplo seja do lugar onde nascemos. Na maioria das vezes vamos nos adaptando e, de fato, é nele que estudamos, conhecemos os primeiros amigos, as primeiras paqueras e o amor definitivo. Em regra, também, neste chamado berço natal encontramos meios para sobreviver, constituímos família e nos evolvemos com suas virtudes, peculiaridades e sempre que podemos, reconhecemos onde está o “mal e o perigo”.

Mas é interessante como o tempo passa porque, assim como envelhecemos, com o nosso “berço” não é diferente. E assim, uma década é suficiente para redescobrirmos a nossa própria casa, observando o deslocamento do progresso enquanto faz de lugares alegres, recantos de abandono e esquecimento. E os seres humanos, psicoadaptáveis em todas as situações, se unem a uma corrente invisível – às vezes nem tanto – clamando por melhorias. Como milhares de imigrantes italianos, meus avós desembarcaram no porto de Santos e de lá partiram até a Capital de Estado. Era o começo do século passado, e imagino como conheceram o centro de São Paulo, mais tarde o entorno da rua da Cantareira, local onde mais tarde, no Mercado Municipal, começaram a fazer a América. Meu avô Frederico, por exemplo, teve até uma função inusitada: acender as lamparinas para iluminar as ruas nas quais não havia eletricidade.

Dá para imaginar? E talvez esteja neste ponto a vocação que tornaria a “terra da garoa” a maior entre as maiores. Diferente do Rio de Janeiro, beneficiada como as benesses de sediar a República, São Paulo emprestou de italianos, japoneses, sírios, libaneses, judeus e dos portugueses remanescentes da colonização o conhecimento destes povos. E assim, de braços abertos, criou uma relação afetiva: “lhes dou onde morar e me ofereçam o progresso”. Minha mãe sempre teve orgulho de ser paulistana, de ser oriunda do Brás, bairro de tantas Ninas, Antonios, Cotinhas, Rosas e Irenes.

Passou esse amor aos filhos e sempre quando vou ou simplesmente corto São Paulo em busca do litoral, me impressiona como a metrópole não para. Há sempre uma nova obra e existe sempre uma reforma concluída, como se o seu desenvolvimento não tivesse fim. Nossa Capital se reinventa a cada dia, mesmo, como um gigantesco conglomerado urbano, enfrentando dificuldades da mesma proporção. Por isso, todas as vezes em que tenho a honra de me dirigir a um paulistano da gema, meu grande amigo Sidney Botelho, me envaideço ao me aproximar da “nossa” cidade. O berço do Estado que acolhe e não nega oportunidades a quem trabalha e persiste, como é o caso do nosso correspondente.

Não me lembro ao certo como nos conhecemos, sei que foi pelo esporte e pelas ondas do rádio, e empresto dele um exemplo inspirador no aniversário de São Paulo. Alguém que cresceu, se transformou e consegue, hoje, fazer a diferença nesta metrópole. Uma grande pessoa, um profissional de excelência, e um enorme exemplo do que um bom lar pode fazer na vida de seus filhos. Parabéns, Botelho, parabéns, São Paulo!