Nem encerramos a primeira semana do ano e a fervura política solta suas labaredas em Brasília, onde a fina flor de seus representantes parece não ter tempo a perder. E existem explicações lógicas para isso, a começar pela mais evidente: o parlamento ainda não alterou o seu formato. A tão conhecida “política de coalizão”, portanto, já está em campo e com ela o presidente Lula leva vantagem comparado ao seu antecessor. Primeiro porque sabe que isso é uma realidade, e não tem o menor pudor em distribuir cargos, algo que Jair Bolsonaro demorou a instalar em seu governo.
Depois porque, também ao contrário do ex-presidente, Lula pertence a um partido tradicional, cujos quadros já ocuparam diversas posições, inclusive no governo. Ou seja, a nova administração sabe perfeitamente o que vale ou não à pena fazer, incluindo onde estão as joias da coroa, no melhor sentido literal da frase. E assim, enquanto a formação do novo Congresso não chega, era de se esperar que essas negociações fossem rápidas, porque um novo cenário se avizinha. Porém, se por um lado essa experiência otimiza a “ocupação” dos gabinetes, velocidade não significa perfeição – que explica alguns recuos de última hora, o que tem deixado os investidores, principalmente na Bolsa de Valores, bastante inquietos. Hoje, por exemplo, será a vez de Simone Tabet assumir o seu posto, e sabe-se lá até que ponto falará por conta própria ou, como já foi solicitado, se submeterá ao crivo do Palácio. É óbvio, ainda é muito prematura qualquer avaliação do que será esse Lula 3, mas os primeiros sinais indicam a construção de simbolismos, que começaram com a subida da rampa. Tal e como Bolsonaro prestava conta aos eleitores cativos, Lula tem feito o mesmo na carona da “diversidade”, o que é arriscado. Porque manter o controle sobre um “núcleo duro” já é difícil, imaginem um ministério com 37 pastas.
Nesta sexta-feira, espera-se, o presidente encontrará uma sala suficientemente grande para conversar com os seus subordinados, e terá que baixar a bola no gramado. Quem vive de festas é promotor de eventos, e chegou a hora de executar algum projeto que, efetivamente, ofereça mais esperança e menos desconfiança na outra metade do eleitorado. Principalmente, para que a conta desta festança não recaia sobre todos, o que indicaria começo sombrio para o nosso país.