Neste ano um dos mais emblemáticos filmes já produzidos completa 80 anos: Casablanca. Tendo como pano de fundo a 2.a Guerra Mundial, a produção retrata o amor “proibido” entre Rick (Humphrey Bogart) e Ilsa Lund (Ingrid Bergman). O lançamento ocorreu em Nova York, no Hollywood Theatre, no dia 26 de novembro de 1942. No Brasil, o longa estreou quase um ano depois, em 17 de setembro de 1943.
Ou seja, foi filmado durante o conflito como forma de encorajar os soldados norte-americanos e, entre outras peculiaridades, eternizou a canção As Tome Goes By e, segundo informações veiculadas esta semana, “muitos dos atores do filme tiveram experiências na Segunda Guerra; alguns eram refugiados, vindos da Europa para escapar dos horrores do nazismo. O húngaro S. Z. Sakall, por exemplo, que interpreta o garçom Carl, havia perdido três irmãs em um campo de concentração”. Escreveria um dia inteiro em homenagem a um filme que revi mais de uma dúzia de vezes, e que transferiram para o meu “banco de dados” cenas marcantes, como a insurgência de franceses dentro de um bar com a presença de soldados alemães. Subitamente, vendo a entrada do grupo inimigo, os clientes começaram a cantar La Marseillaise, o hino francês, declarando a resistência em alto e bom som.
Curiosamente, oito décadas depois, os horrores de uma guerra estão instalados em solo europeu, e desta vez, a exemplo do hino entoado em Casablanda, Volodimir Zelensky terminou sua passagem histórica pelos Estados Unidos entregando uma bandeira ucraniana no parlamento norte-americano, assinada por combatentes de seu país. O presidente da Ucrânia foi aplaudido em pé diversas vezes durante o seu discurso, na expectativa de convencer os políticos em reforçar o patrocínio de uma luta não exatamente contra a Rússia, mas a favor na liberdade. Ele reiterou que seus soldados estão preparados para utilizar todas as formas disponíveis em defesa da soberania ucraniana e que, sim, também estão unidos em torno das comemorações natalinas, entre as quais não haverá tréguas no front de batalha.
Em manifestação, divulgada hoje, o para Francisco também pediu para que todos se lembrassem das crianças ucranianas neste Natal e para aqueles que procuram comparações, algumas reflexões se impõem. Nesta guerra, real, não há pianistas, nem cenários, a não ser de destruição. A vida pode ser pior, sim.