Toda a estigmatização é uma forma de preconceito. Aliás, todos nós possuímos algumas repulsas, vamos dizer assim, um pouco mais, um pouco menos, muitas das quais deixamos quietas por ser melhor. E quando se trava um debate ideológico como promete seguir em nosso país, é impossível qualquer tipo de conciliação; porém, a tolerância e o respeito a uma opinião divergente seriam as maneiras mais ideais daquilo que poderíamos enxergar como palco de convivência. Entretanto, de ambos os lados da moeda haverá motivos, ainda por um bom tempo, para cutucões, caneladas e, melhor dizendo, estigmatizações.

Acompanhei – desta vez sem querer porque apenas escolhia o telejornal que assistiria – a cobertura do início das cenas de vandalismo em Brasília. Foram cenas impactantes e, imediatamente, os comentaristas da emissora foram convocados para analisar as manifestações incendiárias. violentas. Depois de alguns minutos fui conferir se a rede Globo já estava com suas equipes no local, dado ao aumento da proporção dos atos.

Nada. Preparada para paparicar a diplomação de Lula e Alckmin, a Vênus Platinada seguia com seus comentaristas exaltando os discursos, do presidente eleito e de Alexandre de Moraes. Voltei ao modo “ao vivo” até que, em dado momento, um jornalista carioca lançou uma opinião acerca do “modus operandi” de alguns membros então filmados. Segundo ele, as ações eram idênticas às praticadas no Rio na época dos “black bloks” e, portanto, passou a duvidar dos autores daquela bagunça, abrindo a possibilidade de existirem “infiltrados” naquele movimento. Daí por diante, todos os envolvidos foram rotulados de bolsonaristas, com uma precipitação denominativa que não cabe aos jornalistas. Aos políticos, sim, porque jogam em uma área de confronto, e o que mais se aguarda, até agora, é a identificação dos baderneiros. Alguns deles – há gravações disso – diziam: Fora Bolsonaro. Como explicar isso? Portanto, até a posse, esses movimentos antipetistas devem ser repensados, feitos com mais cuidado exatamente porque, se infiltrados existem a favor da violência, isso descaracterizará manifestações até agora pacíficas. A estigmatização pega, vale lembrar, e nem sempre é justa.