No início do século passado, “fazer a América” significava, para os europeus, deixar para trás a destruição provocada por uma guerra mundial. No caso de meus avós, eles decidiram cruzar o oceano Atlântico após a primeira, saindo da Itália, e aqui se dedicaram, como tantos outros, à “lavoura”, como se dizia antigamente. Por isso se tornou comum ouvir, entre os pertencentes da minha geração, a seguinte máxima: “pare de reclamar, você não sabe o que é uma guerra!”. Infelizmente, passados cem anos de um conflito que destruiu cidades, empregos, aniquilou plantações e proporcionou fome e falta de habitações, as imagens recentes retratam um cenário sombrio no solo ucraniano.
Lá, também, muitos abandonaram suas casas e foram em busca de uma vida nova, mas aqueles que resistem, por seus ideais ou simplesmente pela ausência de opções, estão demonstrando ao mundo algo importante: o que significa defender a sua pátria, mesmo em desvantagem numérica e bélica. Enquanto um outro inimigo se aproxima, o frio extremo, a improvisação é diária enquanto a luta, literalmente, continua. Portanto, perseguir uma ideia e defendê-la, acima de tudo, é um ato de coragem, e muitas vezes ganhar ou perder é uma simples consequência, que não esmorece o seu valor. Penso nisso todos os dias em que vejo centenas de pessoas se manifestando ao lado do nosso Tiro de Guerra, faça chuva ou faça sol. São pessoas que lamentam, assim como eu, a volta de um comando sobejamente corrupto, inconsequente e mentiroso em todos os sentidos.
Mais que isso: de um líder que precisou que a Justiça se reinventasse para retirá-lo de onde deveria estar até hoje, em Curitiba. Porém, aos desalentados, resta-nos a resignação e a esperança que o Brasil não seja destruído em quatro anos como foi em treze, simbolicamente treze. E o desejo que os pilares democráticos não sejam bombardeados, que o ativismo do STF acabe e que nossas garantias, de pensamento, manifestação ou quaisquer outras, não sejam violadas. Portanto, quando observo críticas a aparente falta de sentido nas manifestações do entorno do TG, respeito, mas as desconsidero. Porque, finalmente em nosso país, há milhares de pessoas que não se contentam em ficar solitariamente indignadas. Ao contrário daqueles não que tiveram escolha ao ver suas terras arrasadas, esses patriotas vigiam pela manutenção de nosso solo fértil. A todos, o meu profundo respeito.