Finalmente veremos o nosso país representado na Copa do Mundo, com direito a todo o incremento tecnológico que a Fifa está utilizando para anunciar as 32 seleções que participam do torneio. Aliás, desde domingo, quando a cerimônia de abertura aconteceu, ficou clara a intenção da entidade organizadora de investir em efeitos especiais, uma forma de enaltecer ainda mais o evento possivelmente mais assistido do planeta. De fato, como observou um comentarista de esportes da chamada “velha guarda”, parece que “o futuro chegou”, referindo-se desde a filmagem das equipes nos vestiários até a entrada do gramado. Inegavelmente, o show de luzes e efeitos em três dimensões proporcionam um recorte de fundo bem interessante, e isso mexe com sensibilidade dos torcedores e, até em maiores proporções, com os atores deste espetáculo. Até agora, não por conta disso, é óbvio, o evento tem sido impecável, justificando os investimentos milionários desta competição, mas é chagada a nossa vez. Por volta de duas da tarde, nesta quinta-feira, emissores de rádio e TV já informarão todos os detalhes que cercam a estreia a seleção brasileira, e tomara não repitam aquela cena registrada em 12 de julho de 1998, quando o presidente da CBF saiu às pressas das tribunas de honra para saber porque Zagalo não havia escalado Ronaldo para a grande final. Afinal, entraria Edmundo, mesmo? O estava acontecendo? O Brasil foi goleado pela França por 3 a 0 e jamais ficamos sabendo, de verdade, o que aconteceu, se foram realmente convulsões, alguma desavença, mas agora a expectativa é diferente. O Brasil é como sempre favorito ao título, mas desta vez a dose de otimismo entre a crônica esportiva está maior. O time de fato é melhor em comparação a 2018, mas e daí? Vamos lá. Vivemos ainda a efervescência de uma campanha eleitoral e a grande dúvida é saber se a participação brasileira trará um pouco mais entendimento entre, digamos, as partes evolvidas. Porque circulava ontem pela internet que alguns torcedores se vestiriam de preto nos jogos da seleção como forma de “protesto”. Honestamente não dá para acreditar, mas como não vimos “de tudo”, ainda, será? Em 2014, um dos momentos mais marcantes da Copa foi o canto do hino nacional “à capela”, que infelizmente os 7 a 1 rasgaram da memória. Os protestos políticos ficaram fora dos estádios e será muito interessante, mais uma vez, acompanharmos a exibição do hino agora em outras terras, que certamente será ouvido com emoção por aqueles que estiverem no estádio. E fora dele. Dá para acreditar que alguém possa torcer contra o seu próprio país? É o que veremos a partir desta quinta.