Promete se intensificar nos próximos dias o trabalho dos tribunais eleitorais em relação ao julgamento de notícias inverídicas, ou que contenham meias-verdades, vamos dizer assim. Cada vez mais, as campanhas, principalmente à presidência, tentam “colar” a imagem de seus adversários a toda a sorte de mazelas, algumas com requintes de crueldade. Desespero, reta final, seja qual for a qualificação destes expedientes, de concreto normalmente não há nada que, de fato, possa relacionar o acusado às demandas que lhes são importas. Uma delas, recente e ainda “liberada” pela Justiça, elenca uma série de criminosos como apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, entre os quais a ex-deputada Flor de Lis, o médico Dr. Jairinho e o ex-goleiro Bruno. Outra – essa devidamente derrubada pela Justiça – sugeria uma situação de pedofilia envolvendo o presidente Bolsonaro, em falas recortadas sobre meninas venezuelanas.

Bem, o candidato Lula da Silva também foi alvo destas ofensas, aliás, existe uma enorme vantagem de sua candidatura quanto ao número de pedidos aceitos pelo TSE em relação ao adversário: 42 a 7. A dúvida é: isso permanecerá nestas duas semanas que nos separam das eleições? Acredito que não somente continuarão como devem elevar o tom, como quase aconteceu neste domingo no debata presidencial da Band. Apesar do clima supreendentemente respeitoso, ou, melhor explicando, dentro dos limites da razoabilidade, Lula e Bolsonaro apenas repetiram as acusações que ambos têm falado durante a campanha. Portanto, quem esperava uma guerra a céu aberto se despontou e talvez o detalhe que mais chamou a atenção foi a contribuição oferecida pelo ex-juiz Sergio Moro a Bolsonaro.

E provavelmente a “surpresa” não tenha sido exatamente a sua presença, mas a concordância do presidente, que sempre o tratou como traidor. De qualquer forma, os indecisos que acompanharam o debate não receberam novas informações, mas apenas alguns pontos mais desenvolvidos pelos candidatos. Em resumo, um “mais do mesmo” e a nítida impressão que, a esta altura do campeonato, não errar é mais importante que acertar.