Segundo a central das eleições da rede Globo, os eleitores devem procurar algo mais importante para fazer até domingo porque as eleições presidenciais já estão decididas. Tanto é que, ontem à noite, entre as especulações sobre os assuntos que eram tratados na reunião entre Lula e os pesos-pesados da economia brasileira, até o novo ministério foi cogitado. E o mais inacreditável nisso tudo, não fosse apenas o declarado, antigo e persistente tratamento indigesto dado ao presidente Jair Bolsonaro, o clima de “já ganhou” ficou estampado no rosto dos “analistas” sem a menor preocupação de ser feliz. Portanto restou-me, ontem à noite, e como eleitor, acompanhar o debate entre os candidatos ao governo de São Paulo, igualmente exibido pela Globo.
Alguns aspectos foram interessantes e merecem observações, como o fato de ter conhecido as candidaturas de Elvis Cezar (PDT) e Vinicius Poit (Novo). Quanto ao primeiro, um típico representante de prefeitos do interior paulista: sabia na ponta da língua quantos quilômetros asfaltou em sua cidade, os prêmios ganhou como administrador e até o que fazer para despoluir o rio Tietê que corta sua região. Poit, por sua vez, foi apenas um reverberador do mantra do partido Novo, que não propõe outra coisa que não seja empreender. Para o partido, a impressão que se tem é muito simples: quem está empregado, ótimo; para quem não está, procure o Sebrae – por sinal uma máquina de produzir empregos, mas para seus diretores – e vá em busca de seus sonhos.
Quanto às participações de Fernando Haddad (PT), Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Rodrigo Garcia (PSDB), não há dúvidas que o tucano, até por governar o estado, foi o mais combatido. Porém, tecnicamente, foi o que melhor se apresentou, tanto na exposição de propostas, como nos projetos em andamento no Estado. Falou com clareza, firmeza e novamente se colocou como “independente”.
Haddad não disse outra coisa sem relacionar a Lula a sua candidatura, se comportando como um papagaio de pirata e Tarcísio, desta vez, aparentou um certo nervosismo, embora também não tenha retirado seu padrinho, Jair Bolsonaro, da pauta. Como engenheiro conhece os números, mas como político lhe falta carisma. Resta saber agora, caso as pesquisas se confirmem, se conseguirá manter a segunda colocação para a disputa do segundo turno. Uma última observação: praticamente todas as regiões do estado foram lembradas durante o debate: Vale do Ribeira, Oeste Paulista, Litoral, Vale do Paraíba. Entre elas, dezenas de cidades, menos, obviamente, Limeira. Uma pena.