Quando os legisladores formataram o segundo turno nas eleições, acreditava-se na importância deste “novo pleito” para referendar candidaturas que não tivessem recebido, em primeiro momento, a escolha da maioria dos eleitores, o que vale para cargos executivos. Por isso, a defesa do “voto útil”, além de um expediente que empobrece a democracia, visa retirar dos eleitores o sagrado direito da escolha, mesmo que se imagine que este voto vencido pela maioria. Afinal, os motivos que nos levam a escolher este ou aquele candidato são de ordem particular; não devem estar “à venda”, tampouco pelo motivo de antecipar um resultado que pode ser revertido em segunda análise.

Portanto, essa insistência da candidatura petista neste sentido pode revelar algo mais que simplesmente semear uma “tendência” no eleitorado. Por exemplo, no fator “Minas Gerais”. A teoria se explica facilmente. Quando Dilma Rousseff venceu Aécio Neves em 2014, entre o Norte e o Sul do país estava exatamente o estado do candidato tucano, onde sua baixa votação favoreceu a representante petista que, àquela ocasião, capengava nas pesquisas.

Desta vez, o raciocínio é um pouco diferente, mas guarda alguma semelhança. O atual governador mineiro, Romeu Zema, deve ganhar no primeiro turno com números robustos, porém, ele não irá, até as eleições, declarar seu apoio às candidaturas presidenciais a não ser de seu partido. Porém, Zema é antipetista, o que pode beneficiar o presidente Jair Bolsonaro em seu desejo de conquistar maior fatia dos mineiros, caso essa intenção se torne mais clara em segunda votação. Se as pesquisas se confirmarem, nas quais a migração dos votos dos demais candidatos ainda é incerta, em Minas há uma indicação clara de como podem ser distribuídos: contra o PT. Isso, além de assustar o staff vermelho, colocará um ingrediente novo e significativo no segundo turno, contando ainda com sinais a cada dia mais claros que Ciro Gomes entrou em declarado conflito com o ex-presidente.

Ou seja, talvez o pedetista, desta vez, não viaje para Paris e, no Brasil, contribua para se posicionar contrário à eleição de Lula. São apenas suposições, é claro, porém bem próximas de um cenário que pode se materializar. Particularmente nunca fui atraído a votar em quem “parece” que vai ganhar: escolho dentro de critérios absolutamente pessoais, porque os eleitores não vencem uma eleição. Somos apenas representantes desta escolha; a mais votada, leva. Simples assim.