Enquanto o Congresso discutia a aprovação da PEC que elevava o valor do Auxílio Brasil até dezembro, muita curiosidade de formou em torno de seus impactos eleitorais a favor do governo federal. Uma das apostas foi que o acréscimo de R$ 200 não faria grande diferença para quem já recebia R$ 400, isso porque o custo de vida continuava elevado principalmente no setor de alimentos. Após dois meses deste aumento estar no bolso dos beneficiados, várias pesquisas demonstram que efetivamente os impactos a favor do presidente Jair Bolsonaro não foram significativos, porque seus números continuam estacionados entre eleitores de menor renda.

Claro, se as pesquisas estiverem certas. Mas, deixando o aspecto político de lado, o fato é que o custo da sobrevivência alimentar ultrapassou as piores perspectivas que poderíamos ter. Não se nega a influência do conflito entre Rússia e Ucrânia neste particular, mas o problema é que a tal “regulação do mercado”, neste aspecto, sempre desfavorece os consumidores. Analisemos alguns itens. A carne, por exemplo, está há mais de um ano com valores impraticáveis, o que rechaça a hipótese de viver um “ciclo”.

Como a cotação do dólar não apresenta maiores variações, mas continua altíssima, não existe outra explicação que não seja o interesse dos produtores em exportar a maioria de seus estoques, e assim globalizar seus preços. Em outras palavras, o brasileiro está pagando o mesmo por um quilo de patinho que um europeu, mas recebendo em Reais, uma desproporção e tanto. Só para não deixar barato, sem trocadilhos, a mesma teoria de aplica ao preço do frango, que também nunca esteve tão próximo das alturas.

Na pecuária o exemplo é mais devastador, porque podemos desistir de comprar um pedaço de muçarela pagando 60 Reais por quilo, mas nada justifica que o leitinho das crianças tenha subido de 3,5 para 8 reais, item não pode faltar em milhões de lares. E como anda a vida dos cafeicultores? Deve estar ótima, porque há menos de um ano, mesmo quando não estava em promoção, um pacote de meio quilo de pó de café custava cerca de 8 Reais; hoje, 18, às vezes 20. Até um inexpressivo pacote de batata-palha, que não chegada a custar três moedas de um Real, hoje, para ser adquirido, requer uma nota de dez Reais para produzir um troco do quanto custava.

Ou seja, ninguém suporta mais tantas privações, do churrasco, por exemplo, que não voltará aos domingos com Lula ou sem ele. Enquanto este setor bilionário dominar os órgãos de fiscalização de preços e tiver a liberdade de impor sua lucratividade, incluindo suas eventuais perdas, continuaremos nos contentando em comprar dois pedaços de bife no açougue, bem pesados. Ou, pedindo fatias de muçarela, e não sua quantidade em gramas.