Faltando pouco mais de duas semanas para as eleições, as últimas manobras têm sido extremamente calculadas pela imprensa, incluindo novidades. Eis que, de uns dias para cá, a própria cobertura feita por um decano conglomerado, a Jovem Pan, ficou na alça de mira de outro veículo também tradicional, a Folha de S. Paulo. Tudo começou por conta de uma medida imposta pelo YouTube, que desativou as notificações do programa Os Pingos nos Ís e impôs reflexos na audiência do jornalístico.

A informação registrada pelo jornal relacionou o fato com a clara tendência bolsonarista da emissora, mas a perseguição não parou neste caso. Na última quinta-feira, nova matéria feita pela Folha insinuou que a Jovem Pan se beneficiava comercialmente por sua posição ideológica, recebendo não apenas verbas publicitárias do governo e suas estatais como uma espécie de “reforço” proporcionado por empresas pertencentes a apoiadores do presidente, as mais conhecidas o Coco Bambu e a rede Havan. Honestamente, quando a imprensa vira notícia, trata-se de uma questão não apenas de interesse público como setorial. Inicialmente, o que de pior se espera de um veículo é que ele divulgue informações falsas ou incorretas. Ponto. Agora, suas posições, que em regra são expostas por comentaristas, mesmo entre seus produtos jornalísticos, é algo tão facultativo como continuar a assisti-los.

Na Folha, diariamente são publicados dezenas de artigos; entre os comentários políticos, quase a totalidade é contrária ao governo federal, e qual o problema? O leitor tem a opção de apreciá-los ou cancelar sua assinatura, simples como mudar de emissora, que aliás é algo mais democrático porque é de graça. Os analistas políticos da Globo, principalmente os que participam de canais fechados, adotam o mesmo tom, e repito: qual é o problema? Cada veículo possui a liberdade de oferecer maior ou menor importância aos fatos que relaciona, e cabe a quem os acompanha proporcionalizar seus impactos. Se os comentaristas da Jovem Pan tratam o ex-presidente Lula de ex-presidiário, dizendo a todo o momento que ele quer “voltar à cena do crime”, é uma forma de tratamento à qual cabe a Justiça decidir seus limites. Mas medir o grau de importância de um veículo porque ele prefere o amarelo ao vermelho, é exigir uma quase unanimidade que não deve existir. A bem da própria democracia.