Enquanto a corrida eleitoral à presidência recebe seus justificáveis holofotes, à corrida ao governo paulista segue embolada, porém, os números divulgados na última pesquisa Ipec não foram nada animadores ao PSDB. Segundo o estudo, Fernando Haddad (PT) segue na liderança com 32% (estava com 29 na última) enquanto Tarcísio de Freitas (Republicanos) subiu de 12 para 17%. Já o governador Rodrigo Garcia (PSDB) apenas oscilou dentro da margem de erro, “saltando” de 9 para 10 pontos. O estrago feito pelo ex-governador João Doria, portanto, segue expressivo, e vale a pena recordar. O empresário, ao bancar sua iniciativa de concorrer à presidência, esticou a corda até o limite do possível, e isso em política significa tempo de exposição. Além disso, no próprio estado que governou, seus índices de popularidade eram baixíssimos, principalmente no interior, onde mal era reconhecido dentro de um shopping center. Dória, que apostou tudo para transformar São Paulo na “capital mundial da vacina”, não teve sua ideia emplacada, como também parece que não havia um plano B. Assim, ele deixou o seu sucessor em uma tremenda enrascada. Garcia, que ficou escondido durante a longa exposição da pandemia, surgiu do nada e teve que capilarizar sua existência, além disso, tentando se decolar da imagem ruim do antigo superior. Por um certo aspecto, arrebanhar 10% das intenções de voto diante destas dificuldades pode ser considerado um feito, porém, até agora a propaganda eleitoral ainda não conseguiu entregar um “up” em sua baixa popularidade. Além disso, a concorrência com outro desconhecido, Tarcísio de Freitas, é desproporcional, porque o ex-ministro “nasceu” nesta corrida com o empurrão do presidente da república. O que não é pouco, e resta uma dúvida crucial. O maior colégio eleitoral do Brasil, com cerca de 35 milhões de eleitores, concentra quase 10 milhões destes somente na Capital. Tradicionalmente, os paulistanos são menos resistentes a mudanças que os interioranos, mais conservadores. E esta será a pedra no sapato de Fernando Haddad. Como ex-prefeito da Capital, ele possui um trabalho como suas credenciais, e resta saber como será sua avaliação. No interior, entretanto, ele não possui tantos palanques como gostaria de ter, e este pode ser um fator de difícil superação no segundo turno, que provavelmente ocorrerá. Os resultados do pleito nacional também terão influência, mas o maior problema do petista será convencer os eleitores a não somente abdicarem de uma candidatura tucana, mas oferecem ao PT a inédita chance de governar São Paulo.