EDITORIAL
Nem é preciso esperar a “sabatina” de Simone Tebete pela “bancada” do Jornal Nacional para tecer uma análise mais ampla sobre esta série de entrevistas que será encerrada hoje. Porém, antes de qualquer coisa, vale destacar o que disseram os comentaristas da Globo nos telejornais noturnos. Como era de se esperar, só elogios, inclusive de um fato que chama a atenção: a admissão de corrupção. Os jornalistas acharam positivo que Lula atribuísse este fato ao seu incentivo às investigações, incluindo suas comparações com os desvios proporcionados pelo “orçamento secreto”, na opinião do ex-presidente, “muito piores”. Ou seja, aqui se estabelece uma competição estranha, sobre quem rouba mais, ou menos. Outro ponto que deixou os jornalistas anestesiados de alegria: a citação de Paulo Freire sobre pactos aparentemente não convencionais. Finalmente, um outro, de hoje pela manhã, de uma conhecida apresentadora de telejornais, que costuma se exibir ao lado de sua namorada: “a proximidade com a qual Lula tratou a Renata (Vasconcelos) demonstrou o respeito às mulheres”. Santo Deus… Do ponto de vista técnico, alguns registros. Diferente da maneira como se comportou com o presidente Bolsonaro, Willian Bonner estava calmo, sereno e extremamente econômico em suas perguntas, deixando inclusive de contextualizar alguns temas, como fez na segunda-feira. Ele e sua companheira, também de maneira diferente, não fizeram intervenções nas falas do candidato, transformando a sabatina em palanque puro. Finalmente, quando ao próprio entrevistado. Desde que – e faz tempo – Lula explicou para um grupo de companheiros porque gosta de falar em números, jamais acreditei em nada do que diz. O ex-mandatário observou que ninguém se preocupa em saber se os números existem ou não, e são ótimos para impressionar. No mais, Lula foi o que sempre foi e sempre será nas três práticas que mais domina: falar, mentir e se eximir de falhas. Na quarta, beber, ele não pode demonstrar em público. Finalmente, outra sinalização de apoio a ele: o jornal O Globo também não destacou, em sua edição de hoje, as incorreções ditas pelo candidato. Enfim, depois de tudo isso, acredito que até a Vênus Platinada leu Paulo Freire.