Durante o almoço, ontem, acompanhando um telejornal, chamou a atenção o registro de acidente de trânsito, que lamentavelmente vitimou uma criança que acompanhava seus pais no carro atingido. A equipe de reportagem conseguiu chegar a tempo para filmar o trabalho dos policiais e flagrou o causador da colisão, que teria ocorrido por volta da uma da manhã. Tratava-se de um policial miliar que a poucos minutos havia saído de uma confraternização; em seu carro havia uma garrafa de cerveja e o que aconteceu?

Convidado a fazer o teste do bafômetro ele se recusou, e somente depois de muito tempo foi conduzido por uma viatura a um plantão policial. Porém, o trajeto de apenas 10 quilômetros do local do acidente foi cumprido em mais de uma hora de viagem. A equipe de reportagem continuou seu trabalho e percebeu que somente depois de mais de duas horas o motorista, então, fez o teste que deu negativo. Ou seja, os policiais fizeram tudo o que foi possível para minimizar a culpa de uma pessoa que causou a morte de uma criança.

O corporativismo não é uma invenção brasileira. Em alguns casos, são chamados de “máfias” os grupamentos voltados para defender – ou esconder, a depender do caso – pares de uma mesma atividade profissional. Isso ocorre na medicina, por exemplo, quando se tenta encobrir um erro médico. No Poder Judiciário isso também é absolutamente normal, dado ao número de casos que desaparece do noticiário – o mais recente, de um juiz substituto assediador de mulheres. Porém, paralelamente ao funcionamento destes “conglomerados”, há também uma espécie de submissão recíproca em órgãos de representação. Ou seja, me deixe fazer de conta que eu mando, e crio a sensação que você obedece. Foi exatamente isso que ocorreu ontem em Brasília, durante a posse do ministro Alexandre de Moraes no TSE.

Todo o seu empenho para reunir 22 governadores, 45 embaixadores, ministros de estado, do Supremo, ex-presidentes, presidentes da Câmara e Senado e fundamentalmente, entre eles, Jair Bolsonaro, foi para amplificar suas manifestações sobre o período eleitoral, entre as quais o combate à desinformação e à segurança das urnas eletrônicas.

A submissão à qual nos referimos ficou clara quando parte da plateia aplaudiu em pé seus elogios ao sistema brasileiro, o que em tempos normais arrancaria apenas bocejos.

Tempos estranhos, mesmo, principalmente quando somos levados à falsa sensação de isenção dos órgãos julgadores que, por exemplo, demoraram mais de dois anos para descobrir que Lula deveria ser julgado em Brasília, não em Curitiba. Decisões não são justas; são aplicáveis, ou não, e teremos novas provas disso no próximo pleito eleitoral.