Provavelmente dentro de duas semanas será desfeita uma grande dúvida que ronda a cabeça de marqueteiros, candidatos e analistas políticos: qual será o alcance do início do pagamento dos benefícios sociais como vale gás, Auxílio Brasil e bolsa caminhoneiros. Turbinados devido a manobras fiscais executadas pelo Congresso, a pedido do poder Executivo, estes benefícios serão significativos para segmentos que podem interferir nas próximas eleições.
Estima-se que mais de 22 milhões de brasileiros receberão os R$ 600 até dezembro, e outros 5,5 milhões o acréscimo de R$ 50 para R$ 110 para a compra de botijões de 13 Kg, enquanto chegará a pouco mais de 200 mil caminhoneiros um pagamento extraordinário, em duas parcelas, que pode chegar a R$ 5 mil. Esta manobra é claramente eleitoreira, mas não se difere de tantas outras – talvez em forma, mas não em essência – já realizadas. A pior delas, em nossa história recente, levou o Brasil a uma das mais graves recessões da história, quando a ex-presidente Dilma Rousseff represou aumentos dos combustíveis e energia para reeleger-se.
A questão, agora, é saber o quanto estes eleitores estarão dispostos a fazer dois movimentos: o imediato, identificar que, à exemplo do que ocorreu durante a pandemia, estes recursos extras têm a chancela do governo federal, evidenciando este fato nas próximas pesquisas eleitorais. Mais adiante, no início de outubro, agradecerem esta atenção nas urnas. Muita embora desde a votação destas medidas, analistas entendiam que este acréscimo de R$ 200 principalmente no Auxílio Brasil não faria grande diferença em virtude dos altos índices de inflação, fato é que, em termos percentuais, existirá uma diferença significativa.
Na questão do gás, mais ainda. Se, é claro, o aumento não conseguirá deixar as contas em dia para mais de 25 milhões de brasileiros, causará sem dúvida um alívio momentâneo. Estes fatos, associados a queda do preço dos combustíveis, se bem explorados nas campanhas eleitorais prestes a abastecer rádios e TVs, podem, sim, provocar mudanças no cenário eleitoral. O problema, portanto, para um lado ou outro, será saber quanto, e não quando. Entretanto, outra dúvida é saber quem terá mais capacidade de oferecer este produto, ou minimizá-los. Na campanha que o levou ao Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro praticamente não incorporou benefícios de rádio e TV, ao contrário do que precisará, agora. Por sua vez, o partido do ex-presidente Lula tem mais experiência neste quesito, podendo descontruir – até pelo maior tempo de exposição que possuirá – estes pontos positivos. Para quem já retirou pratos da mesa de Marina Silva, é sopa, e vamos aguardar os próximos movimentos. E pesquisas.