Sem qualquer sombra de dúvidas, a mensagem desta semana está por traz da ligação feita por um menininho de apenas 11 anos à Polícia Militar, registrando sua ocorrência: a falta do que comer. Àqueles que ainda não viram, o caso aconteceu na periferia de Belo Horizonte: depois de uma conversa franca com uma policial, Gabriel descreveu a penúria em que se encontrava o armário da cozinha e pediu ajuda. Demonstrando muita sensibilidade, a policial enviou uma viatura ao local do “crime” para receber, em poucos instantes, a confirmação do relato. Sim, não havia nada para comer e junto de Gabriel estavam seus cinco irmãos e sua mãe, soube-se depois, há cinco anos em busca de um emprego.
Os agentes de segurança não tiveram dúvidas e, imediatamente, fizeram uma vaquinha e conseguiram comprar uma cesta-básica. O caso se alastrou rapidamente e uma verdadeira corrente de solidariedade se formou em torno da casa de D. Célia Barros, mãe deste anjinho sem asas. Vale acrescentar duas informações, antes de qualquer análise: a mulher disse à reportagem, presente no desenrolar dos fatos, que tentava sobreviver com os recursos do Auxílio Brasil e que, de sempre que encontrava oportunidades, fazia bicos como segurança e bombeiro civil.
E, “nem sempre”, ganhava uma “pensão” do pai das crianças, algo em torno de 250 Reais. Bem, o caso é comovente, de fazer corar aqueles que reclamam de tudo e de todos, em especial da vida, e terá um desfecho definitivo quando aparecer à D. Célia uma vaga de emprego, o que certamente ocorrerá.
Mas fico pensando: como 6 filhos em casa, como ela conseguirá? Percebam o quanto as estruturas públicas bem ajustadas e administradas – e neste caso pensando em creches – são as “mãos longas” para acolher e amparar uma estrutura familiar carente. Porque, para quem reclama que não tem férias ou está não consegue trocar o celular, a fome mata. E o que pior, a vida da D. Célia não é uma exceção em nosso país, infelizmente. Apenas percebemos isso quando um fato real e inusitado é exposto através da imprensa, pensemos nisso.