O aumento da presença feminina no universo político é assunto recorrente, e nos lembra aquela propaganda do biscoito Tostines: “é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho?”. Jamais conhecemos a resposta, mas analisemos: a imagem feminina “vende” mais ou “não vende mais” porque seus manipuladores assim as tratam, apenas como “imagens”, e delas pouco esperam a não ser perfis palatáveis, e não suas ações? O machismo dos brasileiros é algo intransponível e embora não possamos considerá-lo generalizado, está tão próximo do cotidiano que em algumas situações só é identificado nas entrelinhas.

No início da semana, quando se relevou a chapa de Simone Tebet e Mara Gabrili ao Palácio do Planalto, os próprios membros do partido tucano, ao se referirem à senadora do PSDB, destacaram mais seus atributos femininos – como o fato de estarem “bem-produzidas”, por exemplo – que parlamentares. Até mesmo políticos experientes como Tasso Jereissati escorregaram: “Gabrili também traz para a nossa campanha junto com a Simone a mensagem de que só o amor e a docilidade da mulher podem unir de novo esse país”, disse ele. Chegando agora ao ponto que nos interessa, dificilmente haverá igualdade entre homens e mulheres na política, porque no ambiente corporativo também é assim que se dá, e na sociedade, idem.

Há dois dias houve um caso curioso: as ações da rede Marisa (de mulher pra mulher) despencaram porque, ao contrário da imagem vendida pela companhia, de incentivar a ascensão profissional em seu conselho de administração, aconteceu um exemplo contrariando o discurso: uma redução de três para zero no número de executivas. Portanto, da mesma forma que o respeito à dignidade feminina e a sua capacidade profissional acontecem em construção, na política ocorre o mesmo. Tebet, por exemplo, tem enormes virtudes. Se comunica muito bem, é assertiva em seus comentários, ganhou uma dose extra de holofotes na CPI da Covid e, a continuar assim, tem uma trajetória positiva pela frente. Só não precisaria dizer que “mulher vota em mulher”.

Homens e mulheres escolhem seus candidatos por outras questões, do contrário, já imaginaram se a Dilma voltasse, por ser mulher?