De vez em quando nos deparamos com alguma informação sobre as quais pensamos que o mundo está de cabeça para baixo. Principalmente em relação aos hábitos cotidianos e algumas extravagâncias assinadas por blogueiras, alguns limites éticos e morais são superados em abundância. Dias atrás mesmo, uma dessas “influencers” de sucesso compartilhou em suas redes sociais ter adquirido um par de tênis “destruído” pela bagatela de 10 mil Reais. A foto dizia tudo sem qualquer legenda: era um modelo tipo All Star, com o aspecto que acabara de sair de um atropelamento por um ônibus. Para não a deixar sozinha, uma outra postou algo ainda mais inusitado: um print com o saldo a pagar de seu cartão de crédito. O valor? Pouco mais de R$ 370 mil! Portanto, a cada espiada nos sites noticiosos, casos como esses saltam aos olhos diariamente, porém ontem, em particular, uma dessas notícias, não exatamente ridícula, ganhou destaque: a prefeitura de São Paulo cancelou o carnaval previsto para a segunda quinzena deste mês. Sim, em julho. Vale lembrar que, em fevereiro, a liberação dos blocos de rua causou impasse em várias capitais, uma vez que os desfiles de rua foram liberados. A pandemia ainda figurava como um pesadelo para os governantes que decidiram pela sensatez, proibindo essas aglomerações ao menos com incentivo público. Especificamente em São Paulo, o prefeito Ricardo Nunes, que até agora sofre com sua inabilidade política e administrativa, decidiu anunciar, naquela ocasião, uma espécie de compensação aos foliões, prevendo que julho se tornaria fevereiro na virada do semestre. Pois bem. Ainda que mais de 300 blocos tivessem se inscrito para este carnaval fora de hora, comum na Bahia, é bom lembrar, a prefeitura paulistana não encontrou interessados em patrocinar o evento, inclusive baixando o valor das cotas, de 10 para 6 milhões de Reais. Há um simbolismo neste gesto, incluindo algumas informações subliminares. A primeira: a pandemia está sob controle, mas ainda não é considerada extinta. A segunda: a recuperação da economia ainda está longe de subir em “V”, como muitos apregoam. Terceira: para este ano terminar, o que levará um sopro, apenas, só restam as eleições e a Copa do Catar. Todo o resto não tem mais a menor importância, como não teve este carnaval “julino” na Capital. E assim, de pernas para o ar, segue a vida.