Ao mesmo tempo em que foi aberta a temporada de caça ao voto, agora de maneira mais formal, emissoras de rádio e TV começam a entrevistar candidatos ao senado e aos governos estaduais, uma vez que, à presidência, dificilmente haverá acordo em médio prazo com os atuais líderes nas pesquisas. E, na semana passa, um fato curioso aconteceu. No mesmo dia em que o apresentador José Luiz Datena desistiu de sua candidatura, e obviamente o noticiário procurava avaliar estes reflexos, a deputada Janaina Pasqual estava escalada para conceder uma entrevista para a TV Joven Pan, o que fez. Popular do ponto de vista eleitoral desde que participou, como acusadora formal, do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, ela chegou a Alesp com uma das maiores votações da história, e agora tentará uma vaga ao senado. Bem articulada como sempre, confortável para falar sobre vários assuntos, em dado momento ela se pronunciou sobre a desistência do apresentador – fato que a favorece. Como muita gente, observou, desta vez ela acreditava que Datena iria até o fim, momento em aproveitou para elogiar seu ex-adversário. A deputada também discorreu sobre vários temas, como a sua sistemática vigilância na Assembleia para que projetos não sejam votados, simbolicamente, ao apagar das luzes de uma sessão. Também rechaçou a pecha de “brava” – particularmente atribuiria outra definição, “intensa” – e ao final da entrevista de pouco mais de uma hora, não difícil imaginar, comparativamente, quem atenderia mais aos interesses do Brasil se estivesse em Brasília, Datena ou Janaina. O primeiro, um comunicador milionário que ganha a vida fazendo de conta que se preocupa com o povo; a segunda, uma especialista em leis, em ética e conduta moral. E aqui reside um dos paradoxos da política, porque grande parte dos eleitores se guia pela aparência, e não pelo conteúdo. Lembremo-nos do exemplo do que faz Randolphe Rodrigues, um senador que não passa um dia sequer sem protocolar no STF um pedido de abertura de inquérito. Isso é legislar? Ou uma forma de permanecer nos holofotes da mídia militante? O próprio José Serra, só saiu das catacumbas porque foi o único voto contrário à PEC da farra fiscal. O que ele fez recentemente para a nação? A manutenção deste modo de votar só afasta os bons quadros do lugar que deveriam estar.