Por razões diferentes, duas mulheres estiveram no centro das atenções do universo político de Limeira neste final de semana.

A mais antiga, de idade e de problemas com a Justiça, Constância Felix poderá ter o seu mandato de vereadora suspenso caso a Câmara aceite um pedido de abertura de Comissão Processante, protocolado pelo empresário Igor Mainhani. Aliás, o economista e ex-candidato a vereador fez o que os colegas dela, de parlamento, deveriam ter feito desde o meio da semana, quando a Justiça suspendeu um procedimento de cassação devido a condenação em segunda instância. E mais: demostrou que, mesmo fora de um mandato, não se curvou ao poderio político e financeiro sob o qual o prefeito cassado exerce influência inclusive na Câmara.

Igor, com coragem, fez apenas o que qualquer postulante sério à carreira política deve registrar a favor do que pensa: marcar posição. Esta, aliás, é uma característica que favorece os mais jovens: o descompromisso com os conchavos. Porque uma coisa é, eticamente, seguir as orientações partidárias; outra, se movimentar com independência a favor dos eleitores. E a provável perda de mandato da vereadora seria uma consequência neste sentido, a atenção às pessoas que foram seduzidas por alguém que não é o que se pensa, e não faz o que deveria. Imagino que, entre sábado e domingo, o marido da vereadora teve mais o que fazer do que aguar plantas e vende-las na beira da estrada. Deve ter ficado horas no celular mandando recados, fazendo insinuações e mentindo, o que mais sabe fazer.

A propósito, se Igor Mainhani protocolasse o mesmo pedido na Alesp, teria mais chances de êxito do que aqui, posto que nossa Assembleia tem se mostrado mais sensível no quesito “decoro parlamentar”. Convenhamos, se uma decisão colegiada de segunda instância não representa isso, o que seria? Afastar essa versão mal terminada de um político em falsa ascensão, que parece manter um único foco eleitoral, também restauraria a verdade dos fatos, sobre quem realmente é. E representa.

Aos nossos edis restara dois caminhos. O primeiro, apostar que a apelação de Constância seja rapidamente julgada e derrubada, assim permitindo sua cassação imediata. O segundo, abrir rapidamente a Comissão Processante e afastar a vereadora, no mínimo para demonstrar coerência. Só o que não se espera é uma terceira hipótese, aquela feita por Pilatos. Amanhã comentaremos o outro assunto.