Quando o ministro Ricardo Lewandowski adequou a Constituição aos seus interesses, não deixando a ex-presidente Dilma Rousseff inelegível, ele ofereceu apenas mais uma prova que a Justiça vê, sim, as capas dos processos e os analisa conforme tais. A interpretação que o julgamento do ex-presidente Lula fora feito em instâncias incompatíveis, depois de tanto tempo e mais de um ano de prisão, mesmo sendo uma decisão incrivelmente atrasada, diz o mesmo. Porém, as consequências destes atos devem ser analisadas. Dilma, por manobras desastradas do ponto de vista político, teve um mandato interrompido, paralisando um país por meses. Lula, se tivesse recebido aquela decisão quando era de se esperar, ou seja, no início do julgamento, também estaria apto de concorrer nas últimas eleições presidenciais.

O que aconteceria se a história fosse outra? Impossível dizer, mas atentemo-nos a outra questão. Depois de nosso última Debate Farol, Pedrinho Kuhl, indagado antes de suas despedidas, respondeu que ainda está vinculado, eleitoralmente, no conhecido “Caso Iraciara”, o que o torna inelegível por quase uma década. Não só ele, é verdade, mas observem o quanto esta paralisia judicial interfere, de fato, no futuro de um município também. Pedrinho, hoje, beira uma espécie de “unanimidade” no campo a conciliação. É citado semanal e indistintamente por inúmeros personagens de nossa esfera política, e, até onde ouvimos, é reconhecido nos quatro cantos da cidade. Incentivado a voltar a disputar as eleições inclusive por antigos algozes, nosso ex-prefeito lamenta e não entende toda esta situação, e restam outras dúvidas.

A Justiça aguarda seu centenário para tal habilitação? Por que este “Caso”, até hoje, não foi resolvido como se impusesse uma espécie de “prisão domiciliar perpétua”, do ponto de vista eleitoral, para os acusados? Finalmente, a Justiça não tinha que ser, objetivamente, uma só? Por que a mulher que a representa, as vezes retira sua venda dos olhos para dar uma espiadinha? Pedrinho superou sete CPIs, as quais foi vítima porque não saiu distribuindo cargos, fazendo farra com o dinheiro público. Não se favoreceu financeiramente da condição de prefeito, ao contrário, por conta do cargo que exerceu, teve que fechar algumas filiais de sua loja. Por que ele ainda paga uma conta que não é dele enquanto a cidade perde a oportunidade de submeter seu nome às urnas? Pois é. O Direito é uma ciência admirável; a Justiça, definitivamente, não.