No começo da década de 1930, quando os mais prodigiosos cartunistas eram reconhecidos pela opinião pública norte-americana, Charles Addams idealizou uma sátira sobre a família tradicional com requintes de morbidez. O sucesso foi tamanho que, décadas mais tarde, as pequenas tiras publicadas em jornais se transformaram em uma das mais conhecidas séries de televisão, chegando às telas do cinema no início dos anos 1990. Mas a Família Addams, como ficou conhecida, era apenas um estereótipo, ou seja, seus personagens apenas eram exóticos, de gostos afins, e não interviam a favor do mal.
Eles não eram mentirosos contumazes, nem matavam suas vítimas para saboreá-las nas refeições. Possuíam apenas hábitos estranhos, só isso, por isso não são comparáveis a uma outra família caricata, que ano após ano deixa cicatrizes profundas na sociedade limeirense. Marcas que começaram com a cassação de seu patriarca, seguiram com a prisão de seus membros e continuam agora com mais uma intervenção da Justiça, desta vez sustentando a utilização de veículo de comunicação para benefício eleitoral.
O acórdão publicado pelo Tribunal de Justiça, de 39 páginas, fecha todas as pontas do que eram apenas indícios, hoje transformados em sentença condenatória. E assim. essa versão brasileira de uma família que representa o contrário dos bons costumes, está afastada de cargos públicos pelos próximos oito anos, um alívio para os cofres públicos que, espera-se, não correrão riscos de usurpação. E para que não restem dúvidas sobre a interpretação do Poder Judiciário de que estes fatos não apenas aconteceram como continuam, recentemente, durante evento de cunho assistencial que reuniu mais de quinhentas participantes, a matriarca circulou entre as convidadas a tiracolo de uma colunista social, tudo para certificar-se que apareceria em todas as fotos do importante evento. Se isso não é aproveitar-se de veículo de comunicação, o que seria? Resta a esta encrencada família, como sempre, dizer-se perseguida, jogando seus búzios para encontrar melhor sorte ou quem acredite que suas mazelas são fruto do acaso, e não de um método sistemático de conseguir, a qualquer preço, fama, poder e enriquecimento, mesmo pisando – sem se importar com isso – no pescoço alheiro.
Que Limeira acorde deste pesadelo e se afaste desses personagens fantasmagóricos da vida real.