Existem setores na Prefeitura de Limeira quase inexpugnáveis. Seria exagero dizer que se encontram acima das leis, porém, do ponto de vista prático, estão quase lá, porque suas decisões são inquestionáveis. E sempre que atuam, suportam com incrível resiliência algumas críticas aqui e acolá, às quais explicam com critérios técnicos jamais esmiuçados. Detalhados, digamos assim. E assim procede, em regra, o comando do nosso trânsito, o que convencionou-se chamar de “mobilidade urbana”, mais sugestivo e abrangente.

Não são raras as decisões de alterarem, do dia para a noite, o sentido das ruas, assim como locais de conversão e estacionamento. Entretanto, no quesito fiscalização de velocidade, a soberba impressiona. E recentemente, após a instalação das lombadas eletrônicas em algumas avenidas de intenso movimento, nosso companheiro José Antonio Encinas fez uma observação não apenas inteligente como demonstra, com todas as leras, como a indústria de multas segue livre, leve e solta. O motivo é que, em um destes logradouros, a velocidade usual é limitada a 50 Km por hora, porém, próxima ao radar, ela baixa para 40 Km. Incorporam-se a este fator dois ingredientes contra o motorista: a sinalização desta redução foi colocada praticamente sob o radar e, quando a sinalização de solo, não há nada que ajude o condutor do veículo ao devido cuidado. Vale lembrar, também, que por ser “eletrônica”, não existe a lombada “física”, outro fator que convida o motorista a prosseguir na velocidade em que estava.

Não há qualquer dúvida imaginarmos que, em pouco tempo, quem trafega regularmente nestas regiões, nas quais estão as novas lombadas, receberá um calhamaço de multas, às quais quaisquer recursos serão inúteis. Para uma cidade que teve esta “fábrica” devidamente exposta em rede nacional de TV, e como providencia apenas deixou a poeira baixar, não se pode, dela, se esperar outra coisa. Segue a vida, seguem as multas, segue este poder superior em Limeira.