A cada dia se torna evidente o quanto não apenas os produtos, mas as pessoas estão se tornando descartáveis. E qual o sentido disso? Tempo de validade, necessidade eventual ou interesse passageiro; qualquer destas explicações cabem para o cancelamento de alguém, e aqui compreenda-se um ambiente não exatamente virtual: ele é físico. Os exemplos se acumulam dia após dia, e o mais recente apresenta como personagem principal um empresário bem-sucedido, que se tornou político por acaso e agora parece enfrentar um dilema clássico: em regra, somente o cargo referenda uma posição de liderança quando ela ainda não é sólida o suficiente para se equilibrar. João Doria, o personagem em questão, conquistou a prefeitura da maior cidade da América do Sul à reboque de um partido que, é difícil compreender, permanece no poder há mais de três décadas em solo paulista. Ambicioso como é o perfil dos expoentes empresariais, logo saltou para o comando do Estado e, assim, nunca deixou de exibir seu mais importante projeto de poder: a conquista da presidência da República. Uma combinação de fatores, porém, deixaram sua embarcação à deriva neste ambiente restrito a “profissionais”, estes que, mesmo sem cargos eletivos, comandam as ações porque sabem jogar. Políticos que se expõe apenas no saguão de hotéis enquanto tomam longas doses de whisky, colhendo oportunidades e semeando esperanças. E assim o descartaram. É verdade que Dória não mereceria, do ponto de vista clássico, tamanha rejeição do eleitorado paulista. Afinal, não lhe pesam denúncias graves tampouco trapalhadas administrativas, mas sua maneira de se expressar, a falta de carisma e principalmente de empatia o tornaram um pequeno burguês. O símbolo de tudo o que não se identifica com a imediatas necessidades populares. Resta agora, a ele, uma saída honrosa, e talvez da própria política, local em que sua esposa, inclusive, lamenta que tenha entrado. Enquanto o final de sua breve carreira se aproxima, as mesma lições ficam pelo caminho: existimos enquanto temos serventia.
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