Novas pesquisas eleitorais não chegam apresentar grandes novidades, mas confirmam em seus números a sequência de uma leve recuperação do presidente Jair Bolsonaro em relação a Lula, seu principal adversário. Além disso, seguem apontando que a chamada terceira via não consegue se posicionar como candidata a qualquer coisa. Entretanto, uma reportagem elaborada pela BBC News, divulgada esta semana, coloca uma questão que pode se tornar crucial para o destino do atual e do ex-presidente nas urnas: o voto evangélico feminino.

Segundo cientistas políticos, boa parte dos 10 milhões de votos que garantiram a Bolsonaro a vitória sobre Fernando Haddad foi determinada por este segmento cristão, porém praticamente dividido entre homens e mulheres. No primeiro caso, a identificação masculina com o perfil do atual mandatário segue em alguma medida, mas no segundo, um outro componente emerge: a predominância de evangélicas de baixa renda, pretas e pardas. Percebe-se, neste eleitorado, uma clara divisão desde que Lula figura como opção eleitoral. Vale ressaltar, o voto dos evangélicos está fundamentado na proteção da família e naquilo que costumamos tratar como “pauta de costumes”, mas o petista, embora não consiga navegar por estes mares, possui uma forte identificação como aquele que melhor representa a população mais sofrida, e não apenas a classe trabalhadora.

Segundo esta reportagem, “a face típica do evangélico no Brasil é feminina, negra e jovem: 58% são mulheres, 59% são pretos ou pardos e mais de 60% têm entre 14 e 44 anos. Os dados são de uma pesquisa Datafolha de 2020, a mais ampla feita até agora sobre o perfil do evangélico brasileiro”. Além disso, outros fatores, fora desta curva, pesam contra Bolsonaro, por exemplo a condução da pandemia, assunto não esquecido por muitos, no caso, muitas. Estes aspectos estão plenamente identificados por ambas as campanhas, visivelmente exposto por manobras recentes.

Lula, na divulgação oficial de sua pré-candidatura, fez algo não costumeiro, ao ler o seu discurso. Obviamente, para evitar derrapadas como tem dado nas últimas semanas. A campanha de Bolsonaro, por sua vez, expos a primeira-dama Michele em rede nacional, no final de um domingo, para cumprimentar as mamães deste país, em busca de suavizar a imagem do marido diante deste eleitorado. São teorias, obviamente, mas de absurdo, não tem nada. Este inesperado “palmo a palmo”, até meses atrás, ao que tudo indica, se intensificará em busca de fatias cada vez mais específicas de eleitores.