Ainda hoje, quando as reportagens mostram turistas no Rio de Janeiro, percebe-se a euforia com a qual descrevem a Cidade Maravilhosa. De fato, antiga capital brasileira possui uma beleza singular porque, à exemplo de São Paulo, ostenta gigantescas construções que remontam ao início do século passado, algo do ponto de vista arquitetônico de um valor inestimável. Aliás, no centro antigo do Rio desfilavam os blocos carnavalescos e as primeiras escolas de samba, pela Avenida Getúlio Vargas, época em que as “comunidades” não eram comandadas pelo tráfico e, mais tarde, pelas milícias.
Outro aspecto importante é observar os cariocas e as maneiras com as quais enxergam a vida e o mundo. Há quem sustente que esta leveza remonta aos tempos do Império, outros como um subproduto do poder, desde que Juscelino Kubitschek retirou do Rio o status de capital federal.
Talvez exista, até hoje, uma geração de aposentados intrinsecamente ligados a órgãos da União, e assim, trabalhar pra que? Mas, é bom lembrar, as belezas do Rio ficam circunscritas na Zona Sul, não tão distantes dos morros e de suas ocupações. E, nestes redutos, as autoridades de segurança parecem enxugar gelo.
De tempos em tempos, a depender de um ou outro comandante, ações midiáticas parecem ter o único propósito de mandar recados, as vezes batendo recordes de vítimas, as vezes não. Especificamente quando a isso, as teias da corrupção também se instalaram, e não chega a surpreender quando a “casa cai” para alguns figurões.
Encontrar dois milhões de reais em espécie na casa de uma delegada, por exemplo, representa apenas uma “vacilada”, e não uma exceção, porque desde que os bingos foram proibidos formalmente em todo o Brasil, eles seguem suas vidas nas sombras da proteção policial. Neste caso, porém, na Operação Calígula, o tiro parece ter acertado outros alvos, especialmente se o bicheiro Rogério de Andrade for capturado. Suas ligações com Ronnie Lessa, réu pela morte de Marielle Franco, podem levar ao mandante do crime. Exageros à parte, algo que pode respingar nos píncaros do poder, lá em Brasília. O Rio continua… cheio de criminosos, também.