Pessoas mais voltadas à natureza se encantam quando fotografam animais raros, principalmente pássaros, que são relativamente mais fáceis de serem capturados por uma lente. Os mais entendidos são capazes de soletrar o nome científico da espécie exibida, enquanto a maioria se surpreende com a longevidade do bicho. Paleontólogos descrevem sensações parecidas, mas suas descobertas requerem um trabalho mais minucioso, como se estivessem permanentemente diante de um imenso quebra-cabeças. E sempre com o problema adicional de determinar em que período aquele animal viveu, e sob quais condições.
No ano passado por exemplo, um dinossauro virtual invadiu a abertura da Conferência Sobre o Clima para reclamar da humanidade, e até hoje há quem discorde de sua idade. Para os humanos, porém, são erguidos panteões que reúnem pessoas diferenciadas, cujas ideias – e não suas formas – foram decisivas para o desenvolvimento social. Com a invenção dos computadores e posteriormente da internet, inclusive, pesquisá-los tornou-se tão fácil como atraente: basta que se tenha uma pequena dúvida, por exemplo, de quando ocorreu um fato importante e, em menos de dois segundo, isso estará em frente de nossas telas. Mas o período da sobrevivência humana é pequeno, infelizmente, e quanto mais envelhecemos, mais compreendemos como esta vida é um “sopro”.
Por isso, quando algumas marcas são atingidas ou superadas, uma comemoração é sempre compreensível e bem-vinda. Algo comum no esporte, na trajetória laboral estes acontecimentos são mais restritos, e normalmente saúdam empresários bem-sucedidos ou herdeiros privilegiados. Em Limeira, mesmo, muitos conhecem a história de uma pessoa que entrou em uma companhia como office boy e hoje em dia, passados quase cinquenta anos, não apenas ele se tornou proprietário dela como também dirige outras dez. Seriedade, obstinação e dedicação ao trabalho transformaram sua trajetória, que ainda foi coroada com sua personalidade sensível e generosa. Sobre ele escreveremos algum dia, mas, durante a semana passada, chamou a atenção a celebração de um centenário muito especial, do sr. Walter Orthmann. Este catarinense está, simplesmente, há 84 anos trabalhando na mesma empresa, e é dono de apontamentos no Livro dos Recordes. Ele, que já recebeu salários em oito moedas diferentes, contentou-se com o cargo de gerente de vendas, trabalha até hoje e ofereceu lições simples para tamanha longevidade: cuidar da saúde, fazer atividade física e, como profissional, disse que “é preciso focar no que a cliente precisa”.
O mundo é que precisa de mais senhores “Walters”, que deixou um recado ainda mais atual e necessário: “Se as pessoas não têm um motivo para se levantar da cama, elas não vivem”. Todos deveriam deixar esta frase pendurada na parede, de preferência sobre a porta do quarto onde dormem. Pois o sr. Orthmann deve ter passado seus momentos de aflição nesta longa trajetória, do ponto de vista financeiro, inclusive, mas definir como e onde podemos chegar, sem muitas vezes fazer grandes planos, é tão importante para a construção de um novo dia como, e olhando para trás, como de uma vida inteira.