Na prática, desde que a contabilidade midiática criou personagens públicos, o jornalismo profissional foi escanteado do cotidiano informativo. A situação é tão alarmante, se considerarmos apenas a produção de conteúdo, que os aplicativos de mensagens criaram maneiras de ouvirmos mais rapidamente nossos interlocutores, por exemplo. Ou seja, nestes novos tempos de comunicação, não basta o apetite quase generalizado por “resumos de resumos”: até a redução de palavras tornou-se “obrigatória”.

Abreviar “bom final de semana” para “bfs”, “beleza” para “blz” ou “você” por “vc” são apenas exemplos mais corriqueiros deste linguajar que apequenou o nosso vocabulário e vem exterminando, progressivamente, a própria língua portuguesa. Será que apenas “ganhar tempo” justifica tamanha superficialidade? A literatura nacional perdeu, esta semana, uma de suas maiores representantes, e torna-se proposital esta dúvida: a continuarmos assim, de quanto em quanto tempo surgirão, em nosso país, escritoras como Lygia Fagundes Telles? Entretanto, esse reducionismo não atingiu apenas a escrita.

Pessoas inspiradoras, cujas trajetórias constituem modelos de vida, muitas vezes mantém suas biografias restritas aos mais próximos porque se manifestam, via de regra, somente sobre suas áreas de atuação. E, normalmente, essas histórias, por trás das câmeras ou dos teclados dos computadores, são riquíssimas e podem nos despertar para observações mais detalhadas. Afinal, escolhas são sempre determinantes e “porque” e “quando” as fazemos revelam uma espécie de pré-disposição a almejada satisfação pessoal. Ao passo-a-passo de uma carreira não exatamente celebrativa, mas densa e preparada para contaminar o meio social em movimentos assertivos, plurais, democráticos e solidários.

Assim, com estas intenções, de jogar luz nestas trajetórias, começa hoje o Farol Entrevista, por enquanto um semanal que receberá, nos estúdios do Farol de Limeira, personalidades que fazem a diferença em nossa cidade. Que contribuem, com suas ações e reflexões, na formação de um pensamento crítico capaz e suficiente para redirecionar a planície das ideias.

Profissionais que terão a oportunidade, dentro do devido tempo que parece faltar a todos, de revelar como chegaram a este patamar, e até onde querem ir. Pois esta parece ser a missão deste Farol: iluminar! Fazer história e deixá-la, a quem receba este facho de luz, melhor.

A entrevista de abertura será com a psicóloga Dra. Solange Dantas Ferrari, expoente profissional e referência em ações humanitárias. Um programa que nasce iluminado!