O primeiro final de semana no qual o uso de máscaras foi opcional demonstrou, no mínimo, três categorias em circulação: de aliviados, cautelosos e eufóricos. Com o interesse em ver o comportamento das pessoas, primeiro passei por um pequeno mercado, no qual seu proprietário trabalha ao lado de colaboradores e filhos. Logo na entrada, um deles, que sempre ocupa um dos caixas, estava passando as mercadorias sem o equipamento de proteção. Mais adiante, no pequeno açougue que fica no fundo do estabelecimento, dois atendentes estavam sem máscaras e um, com. Pouco depois, em um posto de combustíveis, não houve dúvida entre os frentistas: todos estavam sorridentes, exibindo seus próprios lábios. Mais adiante, entrei em uma unidade de uma conhecida rede de farmácias e neste ponto houve uma curiosidade. Uma cópia ampliada do decreto que liberou o uso, mas o restringiu em alguns lugares, continha uma marcação colorida sobre estes estabelecimentos, o qual incluía este ramo de negócios – ou seja, em farmácias o uso é obrigatório. Mesmo assim, enquanto aguardava meu pedido, surgiu um jovem visivelmente alegre ao perguntar se era a sua vez, sem máscaras, sendo atendido mesmo assim. Finalmente, agora no interior de um supermercado, maior em relação àquele que já havia passado, os funcionários claramente foram autorizados a tomarem suas próprias decisões. Os repositores de produtos que encontrei estavam com máscaras, mas as operadoras dos caixas não as usavam, e me pareciam especialmente felizes por isso. Entretanto, entre os clientes, a divisão era clara, mas se tivesse que apostar, diria que os consumidores de mais idade estavam prevenidos, os mais jovens, não. Ao voltar para casa me lembrei de uma antiga máxima, “o uso de cachimbo deixa a boca torta”. Ou seja, levará tempo para muitos dispensarem as máscaras. De minha parte dancei conforme a música, ou seja, estava com o equipamento sempre disponível para utilizá-lo. Na farmácia não tive dúvida em usar; no mercadinho, dado à alegria do filho do dono logo de cara, achei que seria um insulto entrar mascarado, e assim deixei o equipamento “à meio mastro”. Com o tempo, é de se esperar, as decisões individuais ficarão mais sólidas, mas o importante é que não percebi, principalmente por parte dos gestores destes estabelecimentos, a imposição de medidas que viessem a constranger colaboradores e clientes. Isso e bom, porque o respeito às decisões isoladas deve ser mantido e assim, um passo após o outro, estaremos de volta à normalidade. Que não era sem tempo.