A classificação dos comentários feitos pelo deputado Arthur do Val sobre as mulheres ucranianas compreende um leque no qual cabe desde uma simples manifestação – nojo – até depoimentos carregados de forte emoção, como os fizeram diversas autoridades. Apenas uma não cabe ao parlamentar: infelicidade. Seu notável despreparo para o exercício da vida pública também merece um olhar mais atento, porque este cidadão, além de estar prestes a disputar o governo do estado – algo que já declinou, obviamente –, recebeu uma das maiores votações para juntar-se aos seus pares da Alesp. Isso comprova como, recorrentemente, os eleitores são enganados por supostos verbalizadores de seus anseios, seja por um comportamento irreverente, seja pela “espontaneidade”. Registrado o repudio, suas ideias, “sonhos” e conceitos, destilados em menos de cinco minutos, não precisariam de maior tempo porque sintetizaram a degradação de sua mente em vários níveis. Primeiro por estigmatizar o comportamento das paulistanas; segundo, pela desconsideração à dramaticidade de algo que deveria ter sentido: os efeitos de uma guerra. Terceiro, pela gradação da reciprocidade afetiva; quarto, por seu interesse em fazer algo que o Brasil luta para se livrar: o turismo sexual. Quinto, por declarar sua insensibilidade diante de um flagelo o qual fez questão de conferir “in loco” no falso interesse de minorar. Finalmente, a insensibilidade do paramentar expos um assunto caro não apenas às mulheres, mas para toda a sociedade: o rebaixamento do universo feminino ao nível de objeto. Entre as punições já em curso, como perder sua namorada, ser “cancelado” nas redes e repudiado por milhares de anônimos e famosos, ele estará diante de algo que, se não for pior, estará na mesma altura: frequentar a Assembleia Legislativa de São Paulo. Caso não renuncie, o que seria extremamente recomendável, caberá este serviço aos deputados, que mais uma vez terão que ser rigorosos no julgamento de atos sexistas, para se dizer o mínimo. Neste caso não existe contextualização a ser invocada, a não ser a realidade daquilo que o tal Mamãe, Falei, falou.