25/01/2022
No distante ano de 1993, quando Jurandyr Paixão iniciaria seu terceiro e último mandato como prefeito de Limeira, teria pela frente uma batalha silenciosa contra alguns agentes inescrupulosos do setor imobiliário. É que, até então, os loteamentos que surgiam na cidade eram especialmente vantajosos aos proprietários de glebas porque mandavam, para as prefeituras, as despesas de infraestrutura. Considerando também que a cobrança de IPTU só aparecia depois da venda dos lotes, pois essas terras eram consideradas “rurais” aos olhos do fisco, essa atividade engordou as contas de bancárias de algumas famílias e pouquíssimos atravessadores – um deles, inclusive, empresta seu nome a um recém-lançado empreendimento. Governando sem a tutela da Lei de Responsabilidade Fiscal, que seria sancionada apenas em 2000, chefes do Executivo faziam e desfaziam ao seu bel prazer, podendo autorizar, ou não, despesas como a construção de guias e galerias nestes empreendimentos. Mas houve um aspecto derivado que até hoje cobra a sua conta: o difuso crescimento habitacional da cidade, impondo reflexos imediatos na distribuição de água, energia e, como acontece até hoje, no estrangulamento da malha viária. O descompromisso com o futuro perpetuou, em diversas regiões, avenidas estreitas com raros pontos de alargamento, algo especialmente comum em municípios que planejaram mal seu crescimento. O próprio Anel Viário, que hoje em dia serve apenas para demarcar o que está dentro e fora dele, é um exemplo disso, mesmo submetido a reformas de tempos em tempos. Pior que isso, no entanto, é o quanto se erra até hoje, e a custos elevadíssimos. Há mais de uma década, quando o polêmico viaduto da rotatória do Wall Mart era entregue aos motoristas, notou-se pouco tempo depois que seu fluxo de veículos era exíguo. O tempo passou e eis que agora, quase um ano depois de sua inauguração, o mesmo destino parece recair sobre o viaduto da Barroca Funda, obra gigantesca que não foi capaz de impedir os frequentes congestionamentos da Avenida Dr. Lauro Correa. E com agravantes, pois é impressionante o número de intervenções até agora realizadas em seu entorno, a mais recente impondo a BRK reparos em tubulações subterrâneas. Quem acredita em “maldições” encontra explicações para este fato, porém, à luz da realidade, isso é apenas mais uma comprovação de como a conivência de vereadores é cruel e onerosa, boa apenas para quem governa esta cidade. Tomara que os motoristas, que ficarão um bom tempo procurando alternativas à Lauro Correa, se deem conta disso, se é que lembram em quem votaram. Afinal, o viaduto da Barroca Funda é – ou foi – bom para quem?