12 de Janeiro 2022

Se, em muitos de nós, havia o pressentimento de estouro da boiada até semanas atrás, agora isso é uma realidade: as aglomerações de fim de ano, mais uma vez, reaqueceram os números da pandemia. Ontem mesmo, ao encontrar-me com um médico para tratarmos de outros assuntos, fora de seu consultório, fui surpreendido com a seguinte informação: – “Acabo de sair da contaminação pela Ômicron; de fato, os sintomas são mais leves, tive apenas aumento das secreções nasais e a sensação da garganta raspando”. Em ato contínuo, forneceu-me um sombrio veredicto: – “Os laboratórios de todo o mundo estão concentrados, agora, em novas formulações contra a Ômicron, e em pouco tempo seremos chamados para a quarta dose; infelizmente pessoas como eu e você, com mais idade, teremos que viver os próximos anos mais afastados do ponto de vista social. Iremos menos aos restaurantes, aos cinemas e teatros, porque as mutações não irão cessar tão cedo; isso se transformou em uma imensa oportunidade para os laboratórios, que não hesitarão em oferecer produtos mais eficazes contra estas mesmas mutações. O fim está muito distante, será que teremos tempo para vê-lo”. Para concluir, meu amigo médico estava aborrecido porque teve que adiar uma viagem que faria aos Estados Unidos: – “Iria com minha esposa passar alguns dias na Flórida, com as passagens pagas pelo meu genro, que também viajaria conosco com minha filha e minha neta; tivemos que adiar para maio, talvez junho, é uma situação muito complexa”. Suas previsões sombrias foram reforçadas por uma entrevista publicada pelo O Globo em sua edição de hoje. A médica Ludmhila Hajjar, autora de pelo menos 31 artigos científicos durante este período pandêmico, estima que em apenas uma semana os sistemas de saúde devem colapsar no Brasil, inclusive pela falta de profissionais. Ela também revelou um dado curioso: a CoronaVac não é tão eficiente quanto as outras vacinas em relação às novas variantes. Finamente, sobre de pessoas internadas que não se vacinaram, revelou o seguinte: “Como intensivista, tenho visto cada vez mais pacientes internados arrependidos de não terem sido vacinados. Eles chegam com a forma grave da doença, se arrependem, porém, já é tarde”. Em resumo, para ela, não é o momento de baixar a guarda, especialmente quanto ao uso de máscaras. A boiada da Ômicron, definitivamente, estourou.