30/11/2021
As duas maiores capitais brasileiras, São Paulo e Rio de Janeiro, mesmo diante das incertezas lançadas pela variante Ômicron, seguem mais alinhadas com os apelos econômicos e, até o momento, não cancelaram oficialmente as festividades de ano novo, como outros grandes centros – ao menos 10 – já o fizeram. Tampouco se movimentaram, em igual sentido, com relação ao carnaval, e existe um particular, aqui. Quem, por curiosidade ou interesse, acessar o site “blocosderua.com”, encontrará uma vasta programação que será iniciada logo em janeiro, no dia 7, com o Saravá Especial Oxum, previsto para acontecer na Vila Madalena. No Rio esta agenda começa mais cedo, neste dia 4, com a concentração de blocos no evento Thaguinho no Morro da Urca e não me venham com a história que as tais medidas sanitárias, em ambos os casos e semelhantes, serão adotadas. Neste final de semana, a cantora Cláudia Leite ofereceu uma prévia deste tipo de concentração, mesmo que a liberação das máscaras, em todo o estado, esteja prevista somente para o próximo dia 11. Portanto, prefeitos do Rio e São Paulo agem nitidamente como torcedores, e não como gestores, e torcem para uma equipe perdedora em situações idênticas. Ou seja, esperam por dois acontecimentos até o final de dezembro: que a nova variante não desembarque no Brasil até lá – algo extremamente improvável – e que, caso contrário, seja contida por uma cobertura vacinal próxima ao ideal. São simplesmente apostas, e vale lembrar que é considerado jogo de azar aquele no qual o ganho não depende da habilidade do jogador. Ora, sobre a nova variante o que se sabe é o seguinte: ela já está presente nos cinco continentes, circula mais rapidamente e, por enquanto, não há indicadores de maior grau de letalidade – o que não significa, sequer, que as vacinas sejam tão eficientes como demostraram ser em relação às outras linhagens. Se jogassem por habilidade, e não por sorte, Ricardo Nunes e Eduardo Paes possuiriam, com essas premissas, razões para cancelar o réveillon imediatamente, até porque são eventos que não dependem de uma corridinha de IFood para alegrar o pessoal. Se os próprios pesquisadores ainda não encontraram respostas, por que apostar que venham com boas notícias? Sim, serão decisões difíceis, impopulares, mas até agora nos parecem as mais adequadas diante destas novas incertezas.