12/11/21
A perversidade, como sabemos, não tem limites. Durante sáculos a humanidade se divide, em proporções desiguais, entre a integridade de seus membros contra uma pequena parte com intenções malignas, sorrateiras e desonestas. Em um passado distante, as religiões ofereciam suas explicações desta luta entre o bem o mal. Como algo que, do ponto de vista espiritual, trata-se de um inevitável confronto cujo desfecho se dará apenas com o final dos tempos, com a definitiva vitória das pessoas boas, daqueles que, em vida, dedicaram suas obras terrenas à prática de bons costumes. Aquelas que se exercitaram fazendo da compaixão, uma prática; do amor, um modo de vida. Entretanto, por mais que se esforçassem, as religiões não conseguiram desencorajar pessoas que, dentro de si, possuem quase que uma compulsão em fazer maldades, cometer crimes e, de um modo geral, levar vantagem sobre o próximo. A evolução daquilo que compreendemos como saúde mental, por outro lado, também nos municiaram, ao longo do tempo, de explicações cientificas, conquistadas por experimentações e estudos que chegam a apontar a tendência delitiva de um indivíduo. E estes sinais, quando aflorados, precedem atitudes extremas, como um assassinato, ou diversas modalidades de estelionatos e golpes de uma maneira geral. O conto do bilhete premiado certamente é o mais popular, porém outras modalidades se modernizam com o avanço da tecnologia. Mensagens eletrônicas, por exemplo, constituem areias movediças nas quais, diariamente, somos convidados a pisar. Ontem mesmo, pela segunda vez, alguém tentou se passar por meu filho, comunicando a existência de um segundo número para contato. O meliante queria me fazer acreditar que, dali para frente, aquela seria nossa nova fonte de contato, porém, não bastasse o fato de encontrar-me com ele todas as manhãs, a última linha escrita na pequena mensagem revelou a farsa. O suposto “filho” se despediu me enviado um abraço quando, na verdade, ele se despede mandando um beijo. A farsa ainda teve direito a uma foto ilustrativa, inserida no WhatsApp, extraída da internet, e por mais grotesca que tenha sido esta tentativa de golpe, isso me inspirou a redigir este alerta. Enquanto não chegar o dia do juízo final, para quem acredita, ou uma colisão planetária capaz de extinguir o nosso planeta, a inclinação criminosa permanecerá, no corpo e no espírito, de muita gente.