Hoje, finalmente, vai ser lido o relatório da CPI da Pandemia, ou da Covid, como definem alguns. Em meio aos quase seis meses de oitivas e discussões – algumas acaloradas – e um espetáculo que não foi o circense, como muitos estão tratando a comissão, mas um teatro de horrores patrocinado pelas não ações e ações do governo federal no enfrentamento à doença nesses 18 meses desde sua detecção no país. Depois de alguns entreveros, o consenso prevaleceu. E o relatório que o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI, apresentará vai indiciar 71 pessoas mais o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que não será indiciado por crime de genocídio, como expliquei no Farol de ontem, mas sim de crime contra a humanidade. Mais que justo. Também não deverá ser citado por homicídio, como pretendia o relator, mas com certeza terá um enorme estrago político sobre seu nome e intenções futuras. Caberá, agora, ao MPF e ao Judiciário a continuidade do trabalho. Se ambos quiserem de fato passar o país a limpo, terão muito trabalho e provas contundentes – fáticas e não circunstanciais – contra todos os envolvidos. As mais de 600 mil famílias enlutadas pelas mortes esperam, com certeza, por justiça.
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