por Farid Zaine
@farid.cultura
Depois de um longo período o Festival de Cannes, o mais famoso do mundo, voltou ao calendário internacional com sessões presenciais e retornou ao seu antigo charme. Em tempos de busca de igualdade e diversidade, algo a comemorar: Após 28 anos da Palma de Ouro vencida por Jane Campion, com “O Piano”, desta vez foi a francesa Julia Ducournau a vitoriosa, com seu polêmico filme “Titane”.
Outro filme que gerou muita discussão foi o musical “Annette”, que deu o prêmio de melhor direção para Leo Carax. O longa é estrelado por Marion Cotillard e Adam Driver. “Annette” abriu esta edição do festival.
O curta brasileiro “Céu de Agosto”, de Jasmin Tenucci, recebeu Menção especial.
A Palma de Ouro só veio uma vez para o Brasil, com o clássico de Anselmo Duarte, “O Pagador de Promessas”, em 1962. Antes, o filme de Marcel Camus, “Orfeu Negro”, inteiramente filmado no Brasil, falado em português, com elenco quase que totalmente brasileiro e inspirado na obra de Vinícius de Moraes, ganhou a Palma de Ouro, mas para a França, em 1959. “Orfeu Negro” foi também premiado com o Oscar 1960 de Melhor Filme Estrangeiro, e também foi a França que levou.
O Brasil já teve bons momentos em Cannes. Os mais recentes e com grande repercussão foram em 2019, com “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, que ganhou o Grande Prêmio do Júri e com o filme de Karin AÏnouz “A Vida Invisível” , eleito o melhor da Mostra Um Certo Olhar.
E ainda há mais na história do Brasil no Festival de Cannes:
– Em 1953, “O Cangaceiro”, de Lima Duarte, venceu como “Melhor Filme de Aventura”, categoria que hoje já não existe.
– Em 1969, o grande diretor baiano Glauber Rocha venceu como Melhor Diretor pelo longa “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”, filme conhecido internacionalmente como “Antonio das Mortes”.
– Em 1986 Fernanda Torres levou o prêmio de melhor atriz pelo filme de Arnaldo Jabor “Eu Sei que Vou te Amar”. O prêmio foi dividido com a alemã Barbara Sukowa (Rosa Luxemburgo).
– Em 2008 Sandra Corveloni, pelo longa “Linha de Passe”, de Walter Salles e Daniela Thomas, venceu como Melhor Atriz.
– Em 2016 , “Cinema Novo” de Eryk Rocha, que é filho de Glauber Rocha, ganhou o “Olho de Ouro” como melhor documentário.
– E em 2021, além do prêmio para o curta “Céu de Agosto”, o tapete vermelho de Cannes recebeu a beleza de Marina Ruy Barbosa, que foi lá para “marcar presença”, o que fez, com certeza.
Para quem se interessar em ver essas preciosidades do cinema brasileiro, é só procurar nas plataformas de streaming . Será um exercício bem recompensador.