Gostei da chegada da HBO Max. O acervo de filmes é muito bom. De cara já revi “Doutor Jivago”, um dos mais apaixonantes romances do cinema de todos os tempos. Superprodução de 1965, dirigida por David Lean, o longa guarda ainda suas qualidades estéticas e dramáticas. Na minha juventude, quando o vi pela primeira vez , era comum haver filmes com 4 horas de duração, como é o caso de “Doutor Jivago”. Os cinemas eram enormes, assim como as telas, e em muitos desses filmes longos havia um intervalo, como o caso também de “Ben-Hur” e “Os Dez Mandamentos”. O filme disponível na HBO Max mantém tudo igual: uma “overture”, com uma espécie de medley dos temas da espetacular trilha de Maurice Jarre, e o intervalo. A deslumbrante fotografia precisa ser apreciada numa TV de tela bem grande. Num período em que as pessoas maratonam séries de muitos episódios, nada como maratonar também os 200 minutos desse grande clássico interpretado por Omar Sharif (Yuri Jivago), Julie Christie (Lara) e Geraldine Chaplin (Tonya). Se possível, de uma só vez, apenas respeitando o intervalo proposto. No Oscar 1966 o longa recebeu 10 indicações e venceu em 5 categorias: roteiro adaptado, fotografia, trilha sonora, figurino e direção de arte.
Nada substitui o prazer de ir ao cinema e compartilhar emoções com muita gente dentro de uma sala. Mas é preciso dar muito valor para o que a tecnologia hoje permite, incluindo poder curtir grandes clássicos do cinema em aparelhos cada vez maiores e com mais qualidade de som e imagem. É o caso de “Doutor Jivago”, que eu recomendo muito, tanto para os saudosistas, quanto para quem ainda não viu. O romance de Boris Pasternak ganhou notoriedade em todo o mundo com essa espetacular adaptação. Em 1966, Julie Christie não foi indicada ao Oscar por “Doutor Jivago”,mas por “Darling, a que Amou Demais”, filme pelo qual saiu vencedora.
Novidades
Incontáveis filmes, séries com várias temporadas e minisséries completas estão nos cardápios das plataformas de streaming. Entre os meus favoritos deste ano, e que disputam o Emmy em várias categorias estão “The Underground Railroad – Caminhos para a Liberdade” (Amazon), “The Crown” e “O Gambito da Rainha” (Netflix), “Mare of Easttown” e “The Undoing” (HBO Max). Falando em Emmy, Kate Winslet é forte candidata a melhor atriz por “Mare of Easttown” (minissérie da HBO Max) e Ewan McGregor a melhor ator, no papel do estilista americano Roy Halston Frowick, também na categoria minissérie, por “Halston”, da Netflix.
Literatura
“Torto Arado” é um dos melhores livros que li nos últimos tempos. Trata-se de um grande sucesso do jovem escritor baiano Itamar Vieira Jr., que com essa obra ganhou os prêmios Leya, Oceanos e também o Jabuti. O romance conta a história das irmãs Belonísia e Bibiana , a partir de um estranho incidente, e percorre a trajetória delas e dos membros da família, de modo a escancarar a vida de negros moradores de uma fazenda, sob as ordens dos proprietários da terra. Itamar nos envolve em sua escrita brilhante para que conheçamos a fundo aspectos de um Brasil que poucos conseguem revelar. Leitura obrigatória.
Cultura em Limeira
– Limeira foi contemplada em três projetos da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo: Circuito Cultural Paulista, Tradição SP e Mais Gestão, ficando ainda na suplência da Virada Cultural Online.
– O município aguarda a publicação da regulamentação da Lei Aldir Blanc 2021, a que prevê utilização dos recursos remanescentes dos editais lançados em 2020. A Secretaria de Cultura de Limeira já prepara editais para este semestre, esperando poder contemplar mais espaços de cultura e mais projetos de artistas e produtores culturais, profissionais prejudicados de forma contundente pela pandemia.
– Prosseguem em julho e agosto as apresentações do Projeto “Mundo Solidário – Distantes, mas Unidos”, da Prefeitura de Limeira, através da Secretaria de Cultura. Projetos em diversas linguagens artísticas podem ser conferidos na programação disponível no site e Facebook da Prefeitura.