“A Polícia Federal encontrou uma sala-cofre em uma agência do Banco do Brasil, em São Paulo, que guarda bens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O acervo está guardado em 23 caixas lacradas desde janeiro de 2011 – mês em que o petista deixou a presidência. No total, são 133 itens, incluindo joias e obras de arte que o ex-presidente recebeu de outros governantes enquanto estava na presidência. O cofre localizado no Banco do Brasil da Rua Líbero Badaró foi encontrado casualmente pela PF. Durante buscas na residência de Lula, em São Bernardo do Campo, em 4 de março, dia em que o petista foi conduzido coercitivamente pela PF para depor na Lava Jato, os agentes acharam um documento que fazia referência ao cofre. Depois de encontrar a pista, a PF pediu ao juiz Sergio Moro autorização para estender a busca para o Banco do Brasil, e o juiz consentiu”. Muito bem. Esta reportagem foi publicada pela revista Veja em março de 2016; meses depois, em novembro, o portal Poder 360 registrou que os “mimos” recebidos pelo então ex-presidente não ficaram só nisso. “Um levantamento minucioso foi apresentado pelo diretor do Instituto Lula, Paulo Okamotto, ao juiz Sérgio Moro. São 987 páginas de fotografias e uma planilha de 1.032 páginas descrevendo todos os itens”. O então presidente do Instituto Lula também declarou ter pedido a OAS que bancasse os containers nos quais este material estaria acomodado; o desembolso teria sido de 1,3 Milhão de Reais. Mas, se essa história não foi suficientemente curiosa, preparem-se. Uma jornalista que atualmente é declaradamente fã do “Lula 3”, fez a seguinte revelação um ano mais tarde, em novembro de 2017. Segundo o que escreveu Raul Monteiro em seu blog, “Corre como flecha pelas redes sociais a especulação da colunista Eliane Catanhede de que dinheiro supostamente pertencente ao ex-presidente Lula e originário de corrupção estaria acondicionado em containers guardados em países da África e América Latina com os quais o líder petista mantém relações para lá de amistosas”. Vamos lá. Receber lembranças” é usual no exercício da presidência e cada país disciplina isso da maneira que nem entende. Mas algumas coisas não se encaixam nesta “bombástica” cobertura do caso das joias árabes. Primeiro, se isso aconteceu em 2021, por que só agora a informação foi revelada? Depois, por que a afirmação que seriam de Michelle Bolsonaro com tanta assertividade? Por ser mulher? Finalmente, são poucos as previsões legais para o chamado “crime tentado”, e isso não me parece adequado para este caso, “se” tivesse ocorrido. Afinal, as joias ainda estão na PF, não é? O melhor explicação remete a desconstrução da imagem da ex-primeira-dama, que continua crescendo em popularidade e seu partido, o PL, aproveitaria para enaltecer na Semana da Mulher. O problema é que o telhado de vidro lulista é desproporcional a qualquer outro.