O vendaval de segunda-feira assustou os limeirenses. Por vários pontos da cidade, galhos e árvores inteiras foram tombaram pela força dos ventos, incluindo as poucas que restaram na estranha reforma da pracinha da Avenida Buzolin.

Um desses exemplares, inclusive, caiu deixando exposta sua raiz, e mais uma vez me perguntei: por que tantas árvores foram sacrificadas no início dos trabalhos? Não perderei tempo em ouvir explicações temáticas, como a mais esperada, de que “houve compensação ambiental”, e neste ponto prossigo. Durante os últimos anos, as questões afetas ao desmatamento da Amazônia nunca foram tão frequentes. Associadas a elas, pesca ilegal e garimpos, mas voltemos a tal “compensação ambiental”. Na minha infância, quando me dirigia a pé ao grupo Brasil ou ao Castelo Branco, anos mais tarde, praticamente os raios solares não me atingiam de tanta sombra que havia nas ruas. Percorria este trecho saindo do centro da cidade e, de uns anos para cá, progressivamente dezenas de árvores foram retiradas em especial por razões comerciais.

Obviamente não podemos exigir que as cidades não progridam e que, em busca disso, impermeabilizem cada vez mais o solo urbano, mas isso me traz recordações tristes. Há mais de quarenta anos, me lembro perfeitamente do que fez o prefeito Sebastião Fumagalli com a praça Toledo de Barros. Por sua determinação, praticamente todas as árvores, se não foram podadas drasticamente, simplesmente desapareceram da praça, que do dia para a noite se transformou em lugar árido e deserto. Era início da década de 1970 e praticamente não existia qualquer tipo de proteção ambiental, e somente depois de muitos anos as espécies remanescentes voltaram com algum vigor. Voltando a tal “compensação, pergunto: de que adianta fazer desaparecer árvores do centro para plantá-las no Horto, por exemplo? Próximo de onde moro existe um canteiro central que há décadas possui espécies de pau-brasil plantadas em seu corredor central.

Há dois anos, não sei que movimento inventou de planar mais duas fileiras de árvores nesta avenida, um prato cheio para que o vandalismo quase não as deixasse crescer. E me pergunto até hoje: para que plantar onde já existe vegetação? Limeira há muito tempo deixou de ser uma cidade verde, porque não fazemos coisas simples, como o dever de casa.

Faltam legislação, fiscalização e atrativos que despertem o interesse em deixá-la como era. Não sou ambientalista, longe disso, mas sempre observei como as leis ambientais são difusas e muitas vezes contraditórias.

São punitivas, rigorosas, mas somente onde há facilidade de olhar. Assim é fácil.