Quem exerce a atividade jornalística deve se submeter a algumas máximas, por exemplo, evitar opiniões sob o domínio de fortes emoções. É que os julgamentos, hoje tão comuns nas redes sociais, devem carregar, na atividade profissional, os necessários e justificáveis pesos e medidas. Algo que se consegue com a razão.

Mas existem outras regrinhas que aprendi com o tempo, e uma delas diz o seguinte: quando o receptor interpreta uma mensagem de maneira diferente da qual foi redigida, ou falada, é preciso reforçar aquilo que se quis dizer. É o que faço agora, em função de algo que tive que melhor explicar ao companheiro José Antonio Encinas, discordando de um trecho do editorial de ontem – meu companheiro merece esta atenção especial. Vamos lá.

Os extremistas que tomaram a praça dos Três Poderes em Brasília, destruindo toda a sorte de bens públicos, em nenhum momento devem ser qualificados como “manifestantes”, sequer identificados como “patriotas”. Porque simplesmente atos como os registrados no domingo não são recepcionados pela democracia como a conhecemos, tampouco representam algum tipo de “insatisfação”. Nem “políticos” podem ser classificados, e por isso lamentei que o vandalismo generalizado denegriu a essência de manifestações outrora pacíficas na maioria das vezes.

O próprio uso da camisa amarela por pessoas de bem, a partir de agora, será repensado, porque conforme escrevi ontem, a selvageria criou uma vala comum. Representantes da “direita” internacional, também, repudiaram as depredações e tudo o mais que aconteceu, como bem lembrou ainda ontem o companheiro Claudio Bontorim, acertadamente classificando como “um tiro no próprio pé” a banalização da violência. Por fim, vale destacar o que observou a professora e deputada Janaína Paschoal: “Nunca antes, neste País, Lula esteve tão fortalecido! E por obra de quem? Do bolsonarismo!

Conseguiram, em uma única tarde, dar elementos para um governo de esquerda decretar intervenção na Capital. E, talvez não tenham percebido, mas findaram por LEGITIMAR os inquéritos do STF! Por favor, não contribuam para que o poder estatal aumente. Pode não ter volta! Meu Deus, como não conseguem ver?”.

Concluindo, um erro não justifica um perseguido acerto, porque devemos nos nivelar por cima, com altruísmo, sensatez e inteligência. O mal só favorece a quem dele se nutre, na efemeridade de sua permanência. A lei nos impõe limites, mas o senso comum também.