Pouco depois das quatro e meia da tarde deste domingo, ou seja, quando as reportagens sobre os ataques à capital federal inundavam a internet e programas de televisão, passei ao lado do Tiro de Guerra, me dirigindo ao centro da cidade. Qual foi minha surpresa ao ver que dezenas de manifestantes estavam dispostos apenas em frente à sede. Na pista, e em todo o seu entorno, não havia o menor sinal de barracas e tudo o que estava montado desde o fim das eleições. Isso me chamou a atenção porque, salvo entendimentos que possam ter sido desenvolvidos, deu a entender que havia a expectativa de um “gran finale”. Ou seja, que inúmeros acampamentos de todo o país aguardavam o estaria por acontecer em Brasília, encerrando o que presumo tenha sido apenas a primeira fase desta onda de insatisfação.
Porém, o nível de destruição causado na Capital, imputou a maioria das manifestações até então pacíficas, o rótulo de terrorismo, nivelando baderneiros e insatisfeitos. É de se lamentar porque, de agora em diante, o livre exercício de protesto não receberá mais qualquer tolerância das autoridades públicas, de segurança em especial. E pior. A agressividade iguala os protestos recentes com algumas cenas que já deixaram nossa Capital em estado de alerta. Basta pesquisar o ano de 2014, quando aproximadamente 20 mil Sem Terra sitiaram Brasília a ponto do presidente do STF, à época, Ricardo Lewandowski, suspender os trabalhos da corte.
Muitas dúvidas são abertas a partir de agora, por exemplo, até que ponto o vandalismo deste domingo fechou um capítulo para abrir outro. Porque a Via Anhanguera esteve fechada por quatro horas nesta madrugada e, nesta manhã, uma queima de pneus interrompeu o trânsito na Marginal do Tietê.
Enquanto isso, o presidente Lula parece perdido por algumas razões. Inicialmente, porque parece não ter controle entre seus próprios subordinados, que não conseguiram se antecipar a obviedade dos ataques. Depois, porque talvez não saiba como responder ao vandalismo que de maneira inédita terá que enfrentar. Finalmente, porque terá de tomar suas providencias dentro das regras democráticas, o que não é exatamente uma especialidade de seu partido. A conferir, este tumultuado início de governo que percebe, desde já, a repulsa com a qual terá que conviver, em maiores ou menores escalas.